PALESTRAS PARA PAIS, EDUCADORES E ADOLESCENTES


LIVRO:



SOCORRO! MEU FILHO VIROU ADOLESCENTE




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Ou pelo site: www.elizandrasouza.com.br



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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

PALESTRAS

Palestra para Adolescentes realizada em escolas, clubes e associações
 
 
 
 
Vários temas são postos para reflexão, questinamento e discussão, como: limites, responsabilidade, respeito etc
 

 
 
O interesse dos adolescentes é comprovado pelo alto índice de participação.
 
 

 
Quando é possível, muitos pais participam da mesma palestra. Em outros casos, realizamos palestras somente para os pais.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O adolescente não encontra seu lugar

É comum escutarmos dos adolescentes a reclamação do não pertencimento. Sentem como se "não fossem daqui", muitos até constróem pensamentos sobre a possibilidade de terem sido adotados. Esta via de dúvida é parte da formação do adolescente que carece de um posicionamento mais bem definido.
 
Nomeia-se a adolescência como um período de transição e, inserido neste discurso, o adolescente se comporta como 'sem lugar', 'sem posição', 'sem ser'. Há a dificuldade de entender "o que querem de mim", pois exigem como se faz a um adulto e proíbem como a uma criança.
 
Este sentimento de encontrar o lugar ideal pode acarretar problemas na escola, na família ou em outros grupos, quando o adolescente não consegue se encaixar em lugar nenhum. Fazer parte de um grupo é importante para qualquer sujeito e é na adolescência que isto se torna mais evidente.
 
O grupo é sempre um suporte, um apoio. O grupo é um elemento importante na formação do adolescente, pois a partir dele é possível iniciar o discurso do "quem sou". Por exemplo, uma pessoa que pertence ao grupo dos que andam de bicicleta vai dizer 'eu sou ciclista'; uma pessoa que pertence ao grupo dos que adoram rock vai dizer 'eu sou roqueiro'. Sendo isto para um adulto, imagine a complexidade para um adolescente.
 
É neste contexto que aquela famosa frase que nossos avós e pais diziam faz tanto sentido: 'diz-me com quem andas, que eu te direi quem és'. 
 
Para o adolescente a busca por uma inserção grupal é mais complicada, pois ele já de início foi retirado de dois grandes grupos: das crianças e dos adultos. Muitos adolescentes conseguem maior flexibilidade diante dos grupos que se apresentam e se formam a sua frente, contudo, outros possuem tantas dificuldades que acabam necessitando da ajuda de outras pessoas para se fazerem presentes - e se fazer presente, neste caso, é existir. Muitas vezes, a busca para pertencer a algum lugar é tão imaginativa que as contruções fantasiosas acabam sendo um caminho.
 
Ainda que a adolescência esteja caracterizada por este "entre" - entre a infância e a vida adulta, não podemos considerá-la simplesmente uma transição, pois seus elementos constitutivos são tantos e tão variados que merecem um olhar mais aprofundado.
 
A sensação de não pertencer a lugar nenhum é consequência de uma série de fatores que confundem o adolescente, pois ele ainda não sabe se movimentar como um adulto ao mesmo tempo que não quer mais pertencer ao mundo infantil. Nisto, ainda acrescentamos os pedidos dos adultos, que ora querem que os adolescentes se comportem de forma madura, ora são tratados como crianças; querem responsabilidades de um adulto, ao mesmo tempo que, querem privá-los de 'coisas' de adulto, considerando (na mente do adolescente) um tratamento infantilizado.
 
É claro que não podemos querer do outro mais do que ele pode dar. E, também, é claro que não podemos liberar demais. Por isso, a dúvida sobre esta posição, sobre aquilo que ela pode oferecer e o que é possível exigir, também é dos pais.
 
Ainda assim, os pais não devem, necessariamente, se sentirem culpados, pois cada sujeito é responsável pelo seu próprio movimento e toda atuação tende a ser pela conveniência, ou seja, se um adolescente não obedece, cabe a responsabilidade dos pais e a responsabilidade dele mesmo - o adolescente, por não mais estar na infância, não pode ser considerado completamente inocente. Muitas vezes, o adolescente se comporta de forma infantilizada porque tem benefícios nesta posição.
 
Há muitos anos, o discurso sobre a melhor forma de educar os filhos era pela via repressiva. Depois passamos ao discurso 'é proibido proibir' ou 'não diga não', indicando que qualquer forma de repressão seria traumatizante e, portanto, problemática. Hoje, já assistimos as consequências desta liberação absoluta, na forma desrespeitosa e irresponsável com que jovens (adolescentes ou adultos) conduzem suas vidas e suas relações com os outros.     
 
Não existe fórmula mágica ou qualquer receita que se ajuste a toda situação. E por mais que os pais acreditem que estão fazendo o melhor, ainda erram. O certo é que ainda existe muito a se saber       

segunda-feira, 16 de julho de 2012

JOVENS NO MERCADO DE TRABALHO

É muito claro, atualmente, a dificuldade enfrentada pelas empresas para encontrar profissionais comprometidos com seu emprego. Ao mesmo tempo, que a demanda por trabalho é grande, a demanda por bons profissionais também cresce. E bons profissionais não são, necessariamente ou somente, os altamente qualificados, mas, principalmente, se buscam profissionais que queiram aprender, que queiram se comprometer, que queiram realmente ser profissionais.

Obviamente, este não é um problema pontual, que está depositado nas empresas. Este problema é consequência de uma construção social e discursiva que se segue desde anos atrás com a tentativa incisiva de flexibilidade profissional. Se há 40 anos o ideal e admirável era o profissional que se estabelecia num mesmo emprego por mais de 20/ 30 anos, a partir dos anos 80/ 90, o ideal profissional foi sendo transformado pelo discurso de não acomodação, ou seja, o profissional que se "prendia" a uma única empresa ou emprego por mais 6/7 anos passou a ser encarado como um sujeito acomodado, inflexível e sem perspectiva.

Outro ponto importante desta mudança conceitual sobre o profissional ideal está no aporte tecnológico que temos hoje. As denominadas "novas tecnologias", que estão em estado constante de transformação, por isso são sempre novas, exige grande flexibilidade prática do profissional, assim como, este deve ter possibilidade de adaptação aos novos processos de trabalho.

Hoje, temos uma geração que nasceu ou se formou em meio a estes discursos e esta forma "camaleão" de ser, resultando em questões altamente positivas, como em problemas que crescem a cada momento.

Além do comportamento descompromissado, os jovens contemporâneos não possuem referenciais de comportamentos adequados nas empresas. Ainda sob o discurso da não limitação, da liberdade a qualquer preço, os jovens profissionais rejeitam padrões de comportamento que seja considerado apropriado.

Desde o término da ditadura no Brasil, palavras como limite, restrição, censura são consideradas
negativas e contrárias ao desenvolvimento e ao progresso. Qualquer forma de determinação de regras de comportamento foi considerada um obstáculo à formação do sujeito. Bandeira levantada pela administração, pela pedagogia, pela psicologia, pela economia, pelas ciências humanas de forma geral, o vislumbre pelo sujeito ideal, enquanto livre e autônomo, foi considerado somente possível se não houvesse modelação de comportamento ou de pensamento. Se o sujeito pudesse escolher por si só seu caminho, se pudesse experimentar todas as coisas do mundo, se não lhe fosse imposto limites ou nenhuma regra limitante, se o sujeito pudesse se movimentar de todas as formas, sem a necessidade de definição, não sendo considerado somente por sua quantidade de produção e trabalho.

Em entrevistas, seleções e treinamentos os jovens profissionais demostram sua variável fascinação pelo trabalho, que num momento se coloca entusiasmado e logo em seguida se desmotiva. O que será que querem? Quais são seus reais objetivos na vida? Estas questões são feitas diariamente por empregadores. A geração da informação se transforma na geração do descompromisso, daqueles que não instituem um foco e daqueles que parecem não vislumbrarem um futuro.

A rapidez da informação e das mudanças, frutos do avanço tecnológico, parece atrapalhar a constituição de um desejo futuro. É como se o futuro nunca fosse chegar, pois o presente já é por si só instável.

As empresas sofrem com esta dispersão de objetivos que resulta na alta rotatividade de funcionários.
Apesar de pesquisarem e buscarem benefícios para seus colaboradores, acreditando que quanto mais puderem oferecer, mais próximos estarão da estabilidade, percebem que isto não acontece.

Nada satisfaz àquele que nada deseja. O que falta a estes jovens que estão agora no mercado de trabalho é a própria falta, que gera o desejo. Falta a falta. Quando se tem tudo ou se acredita ter tudo, não há o que desejar, portanto não há o que construir, não há o que buscar, não há por que lutar.

Por isso, por mais que as empresas e os empregadores instalem benefícios, não há garantia nenhuma de consolidação profissional destes jovens inseridos no discurso atual. O trabalho com estes profissionais não se institui com treinamentos comumente conjugados, é mais profundo, mais específico e bem mais elaborado.

Por que as crianças perguntam tanto?

As crianças pequenas, como estão em formação, possuem senso de limite ainda frágeis, ou seja, ainda estão aprendendo os limites da vida, o certo e o errado, os limites entre as relações com as pessoas e com o mundo.

De certa forma, quando adultos, sempre pensamos quando vamos fazer alguma pergunta. Pensamos em nós e na nossa vergonha, e pensamos no outro e no possível constrangimento a ser sentido. Muitas vezes, não perguntamos porque achamos que a pergunta é boba, outras vezes não perguntamos porque achamos que o outro pode ser constrangido caso não saiba responder.

Contudo, uma pergunta pode ser uma arma poderosa quando queremos encurralar o outro. Quando a intenção é deixar o outro 'sem graça', fazemos perguntas, tal como as crianças, sem se preocupar com a posição do outro.

A criança não pergunta para encurralar ou envergonher o adulto. Ela pergunta porque quer uma resposta. A busca pelo saber é o que a movimenta e a impulsiona. E como seu senso de limite, que permitiria se colocar no lugar outro, ainda não funciona como deveria, ela faz a pergunta.

Já o adolescente tem uma necessidade maior em desafiar o adulto, pelo fato de querer, ele próprio, sempre ter razão. Ou ainda, por querer constranger o adulto, mas ainda na tentativa de mostrar superioridade.

O adolescente acredita no seu conhecimento e na sua razão - e é isto que nós, adultos, mais temos saudades. Esta atitude nos faz refletir sobre duas questões:

1ª) o adolescente é desafiador;
2ª) nós, adultos, não temos todas as resposntas.      

PALESTRA

Elizandra Souza realiza palestras para adolescentes em escolas e clubes.

Com uma linguagem simples, aborda com os adolescentes os temas mais discutidos nas salas de aula, na mídia e nas famílias. A participação dos pais e professores é sempre surpreendente.

As palestras são sempre dinâmicas permitindo a participação ativa dos adolescentes que são motivados a refletir sobre as questões da vida atual: violência, drogas, relação com pais e amigos são temas constantes em sua palestras.

Também realiza palestras específicas para os pais, com o objetivo de entender melhor o adolescente de hoje e abrandar a angústia causada por tantas dúvidas.




LIVRO

APROXIMANDO-SE DA PSICANÁLISE NUM  JOGO DE PERGUNTAS E RESPOSTAS




Um livro com as perguntas que todos gostariam de fazer para os especialistas, mas nem sempre têm esta oportunidade. Neste livro estão reunidas perguntas feitas em programas de tv, rádio, revistas e jornais, com respostas simples e de fácil entendimento. Tire suas dúvidas sobre criação dos filhos, relacionamento, doenças modernas etc.

UM OLHAR VALIA UMA SURRA

Nós nos esquecemos que um dia já fomos crianças e adolescentes. Aliás, todo adulto já viveu estes momentos e sobreviveu às duras penas de não ser entendido. Nos esquecemos dos medos que nos assombravam e também das impetuosas falas.

Acontece que nos tempos da nossa infância, também aprontávamos, fazíamos bagunça, mentíamos, fazíamos coisas escondidas etc. Os meios eram outros e as tecnologias não eram avançadas, mas mesmo assim, deixávamos os adultos da época de cabelos em pé.

As coisas não mudam muito: a nova geração sempre parece mais avançada que a anterior, como se as crianças já nascem com certos conhecimentos que os adultos demoraram anos para saber.

Apesar da impressão, não éramos tão livres. Por exemplo, não participávamos das conversas dos adultos e não podíamos falar qualquer coisa para qualquer pessoa.

Nossa repressão vinha do olhar. Nossos pais, ou outros adultos, não precisavam fazer tanto esforço para nos calar ou nos parar. Não havia a necessidade do adulto fazer a criança entender o "porque" das broncas. O olhar indicava o lugar de cada um. Com o olhar deles, já sabíamos o que estavam pensando e o que queriam que fosse feito. Pode ser até que fantasiávamos muito com relação a esta recriminação, mas fazia efeito.

Isto porque já existiam elementos que nos faziam acreditar e obedecer as ordens. Já tínhamos internalizados certas ordens, normas e leis que faziam com que entendêssemos que um olhar valia uma surra.  

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Educando os filhos

Como educar? O que fazer? Como saber se estou certo? Assista ao vídeo e saiba um pouco mais: http://entretenimento.r7.com/hoje-em-dia/noticias/maes-rigorosa-e-liberal-conversam-sobre-a-educacao-dos-filhos-20110214.html

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Questões alimentares na adolescência

As questões alimentares são, atualmente, problemas que mais comumente aparecem entre os adolescentes. Entregando-se às exigências do culto à beleza, os jovens vão se assujeitando cada vez mais a métodos nada saudáveis para alcançarem objetivos, que muitas vezes são inatingíveis. Anorexia, bulimia, vigorexia, ortorexia, compulsão alimentar são os mais conhecidos. Podem acontecer em função do conhecido transtorno disfórmico corporal ou transtorno de imagem. Mas, também há questões relativas à ansiedade, à depressão ou mesmo por alterações metabólicas. Anorexia - a pessoa tem o peso muito abaixo do ideal e se recusa a alimentar-se. Em geral, não percebe que já está magra demais. Há casos em que a internação é a única solução. A anorexia pode causar problemas físicos e intelectuais, ou seja, o adolescente pode começar a ir mal na escola por não se alimentar corretamente. Bulimia - pode acontecer junto com a anorexia. Consite em a pessoa procora a expulsão de alimentos ingeridos, através de vômitos ou uso de laxantes. Pode causar excesso de cárie e úlcera. Vigorexia - Necessidade de se submeter constantemente a exercícios físicos. Muitas vezes se alia também à anorexia ou à bulimia. A superdedicação aos exercícios físicos pode ter como objetivo um corpo mais musculoso ou a magreza. Ortorexia - obsessão por alimentos considerados extremamente saudáveis. Utilizam-se de dietas rigorosas. Não comem sal, açúcar, frituras ou condimentos. Podem levar à carência nutricional. Compulsão alimentar - ingestão de grande quantidade de alimentos, em geral, altamente calóricos e num curto espaço de tempo. Pode causar obesidade, distúbios físicos ou gerarem os problemas acima. Por exemplo, uma pessoa que fica muitas horas sem comer nada, pois acreditam que assim irão emagrecer, como o efeito não é o esperado, entregam-se a voracidade novamente. Estas doenças surgem devagar. Comumente, através de regimes que vão se intensificando. A pessoa passa a comer cada vez menos ou passa a procurar meios rápidos para eliminação do alimento ingerido ou descarrega suas emoções nos alimentos. De qualquer forma, acabam acreditando que sua felicidade está nos alimentos, no corpo ou na beleza. Essas pessoas não percebem o que está acontecendo com elas, portanto, não percebem quando estão emagrecendo ou engordando demais ou se estão rejeitando alimentos e convites sociais como forma de se afastar da comida. Mesmo quando se sentem fracas, não relacionam esta fraqueza com a falta de alimentação, mas é comum ficarem mais retraídas, introspectivas ou isoladas. Existem várias causas para o desenvolvimento destes distúrbios e na maioria dos casos as questões são emocionais ou psicológicas. Contudo, estas questões podem atingir o corpo. As consequências podem ser gravíssimas, chegando até a morte. Porém, antes disto há problemas digestivos, falta de menstruação, diminuição da libido, anemia, diminuição das fibras musculares,irritabilidade, problemas com colesterol, diminuição da atenção e do raciocínio e problemas em todos os órgãos internos. Além disto, há os problemas sociais e psicológicos. Os sintomas depressivos ou a ansiedade podem ser causas ou consequências dos distúrbios alimentares. É difícil dizer como evitar essas doenças, mas quando a pessoa tem bem-estar, alegria de viver, quando consegue resolver seus problemas de forma mais tranquila, dificilmente desenvolverá de forma grave algo parecido. As doenças podem surgir como processo de conflito da pessoa na relação com ela mesma e com as coisas que acontecem com ela, por isso o trabalho psicanalítico é aconselhado. Contudo, em alguns casos é necessário o acompanhamento médico.

quinta-feira, 8 de março de 2012

O adolescente e o discurso

No discurso adolescente permeia a necessidade de inclusão social e participação em um grupo e, consequentemente, institui-se formas e maneiras de ser. Ele escolhe isto para sair da posição que se acha preso, ou seja, no berço familiar, onde parece que ele nada escolhe.
O adolescente, a todo momento, tenta alavancar uma liberdade, por acreditar que está sob amarras que não quer pertencer, pelo menos naquele momento. Há, portanto, um constructo, pelas ideologias que carrega em direção a um novo posicionamento do sujeito.
A linguagem, hoje, para o sujeito adolescente é principalmente constituída pelo mundo virtual, pela necessidade de ser observado e pela facilidade no consumo. Aquele que não se insere neste discurso é considerado “fora” das relações sociais e da cultura.
Para os adolescentes, que já nasceram nesta linguagem, a não utilização da internet ou do celular, é uma amarra e uma impossibilidade de sobrevivência. A necessidade está não apenas pelo consumo acelerado, mas principalmente, como forma de buscar e fazer parte de um grupo. As redes sociais são prova de que mesmo na propaganda da individualidade, ainda a constituição através dos grupos é primordial para os sujeitos.
A pós-modernidade permite que o sujeito se coloque de forma mais pura, na liberdade de expressão subjetiva. O corpo que antes era preso aos uniformes, aos enquadres, na pós-modernidade, se estende, não possui mais contrários definidos, não se contém num espaço determinado. O exagero dessa nova forma de inserção social toma a sociedade ou os sujeitos psicotizantes ou psicotizados, entendendo este como aquele que não tem percepção dos próprios limites do corpo, tem dificuldade de perceber o outro, não tem compreensão total do mundo simbólico.

Análise de depoimento

"Oi, é... eu não quero me identificar, mas quero muito me abrir, tá acontecendo comigo, é, coisas muito difíceis, é, pelo fato de eu ter só 13 anos, eu acho que é muito peso pra mim... eu tô sofrendo muito, é, ..., meu ..., é... eu me sinto gorda, de verdade, sinto que os meninos não olham pra mim por causa do meu peso, mas todo mundo fala que eu tenho peso normal e..., eu tenho o peso ideal para minha altura, eu tenho 1.54 e peso... 45 kilos... e eu não aguento mais o julgamento das pessoas, é muito triste pra mim... eu tô..."


Análise

O fato da menina querer se abrir tem relação com a dificuldade encontrada pelas pelas pessoas, de forma geral, em encontrar um espaço para dizer de si e de suas dificuldades. Não porque não existem profissionais para isto, mas acredito que por duas grandes dificuldades: primeiro, os amigos ou parentes, aos quais sempre nos dirigimos para desabafar, já não estão tão à disposição, pois a sociedade atual demonstra que a individualidade é permanente. Cada sujeito pensa em si mesmo, busca seus objetivos mais individuais, apontando mais uma vez a desqualificação do outro, como se este não existisse. Por outro lado, há uma impossibilidade de se dizer – aquilo que não é expresso em palavras. Para conseguirmos nos expressar e encontrar as palavras possíveis de serem ditas, há que existir uma inserção do simbólico de forma estruturada, pois falamos através do meio simbólico. Hoje, há grande dificuldade de expressão em palavras de si mesmo.
Quando fala que há coisas muito difíceis, podemos interpretar o quanto há de sofrimento para esta menina de 13 anos, que não está encontrando lugares ou formas adequadas para desgarregar o represamento de sua angústia. Logo em seguida em fala é muito peso pra mim, ainda demonstrando que a carga que carrega está se tornando insuportável, mas que se segue de um outro sentido para a mesma palavra, peso, significando o estado físico-corporal. Uma mesma palavra, em sentidos diferentes, mas que organizam a angústia deste sujeito.
Em seguida, diz de duas percepções, que é sua e não pode ser objetivada como concreta, mas que, enquanto sujeito, este faz as interpretações sobre as coisas a sua volta a partir de seu próprio estado (psíquico/emocional): sinto que os meninos não olham pra mim por causa do meu peso, e mais adiante diz: o julgamento das pessoas.
Ainda com a frase: sinto que os meninos não olham pra mim por causa do meu peso, vemos, mais uma vez, a apresentação da necessidade de ser olhada ( e até desejada), inserida no discurso de beleza da sociedade atual, imersa na sociedade do espetáculo, onde é necessário ser visto.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Os filhos devem crescer

Quão difícil é desgarrar dos filhos! Quão difícil é aceitar que o crescimento deles depende, também, de nosso afastamento. As dúvidas mais despertadas nos pais se colocam sobre as questões do futuro. Enquanto são pequenos e estão submetidos aos nossos cuidados especiais, somos considerados o mais seguro dos portos, e temos a crença, quase que numa fé absoluta, de que estamos fazendo a coisa certa.

Contudo, ainda o que mais se sobressai é a dúvida e o medo. Em torno disto, e da certeza de que sabemos o que é melhor para os filhos, assumimos a posição de superprotetores mesmo sem admitir, ou mesmo que esta superproteção não seja visível.

Infelizmente, hoje, apresenta-se uma geração de jovens que não consegue fazer suas escolhas, tampouco, consegue vislumbrar um futuro de forma consciente e coerente.

Quando fazem escolhas, partem, principalmente de uma confrontação com os pais - que não é nenhum modelo novo de sobrevivência na adolescência, cujo aspecto social mais relevante e comentado é o dito "ser do contra".

E quando vislumbram um futuro, ainda se apoiam nas fantasias infantis, que tinham o aporte dos adultos cuidadores - lá quando estes eram super-heróis.

A confusão não está só no pensamento e no comportamento dos filhos. A posição de pai e mãe também sofre com a falta de delimitação.

O que é ser pai? O que é ser mãe? Até quando deve-se carregar os filhos "no colo"? E de que colo é este que falamos?

Provavelmente, todos nós temos um exemplo de pais (ou outros responsáveis) que "carregam filhos nas costas"- e isto não é dar colo. São estes filhos - adolescentes e jovens - que vivem num misto de ser ou não ser adulto.

Filhos não crescem, não amadurecem sozinhos. Dependem em parte da posição dos pais, que ainda inseguros e agarrados aos seus medos, pretensiosamente tentam garantir uma gestação eterna – os filhos são colocados sob as asas dos pais. Mas depende também de como os filhos articulam internamente os ensinamentos oferecidos pelos pais.

Há preocupações tão antigas quanto o fato de ser pai e mãe, como: o que serão de meus filhos? Será que estou fazendo o certo? Qual é a melhor educação? E mesmo com tantas perguntas, tantas respostas, tantas buscas, ainda assim teremos a indagação: onde foi que eu errei?

É difícil entender que o que idealizamos enquanto pais (e/ou responsáveis) não são expressos obrigatoriamente e diretamente nas respostas – físicas, comportamentais, psicológicas, intelectuais – de nossos filhos.

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Acreditamos mesmo que somos únicos criadores, que a formação só depende de nossa vontade. E apesar de termos sido um dia vistos como super-heróis, como seres superiores e até mesmo "santificados", um dia esta imagem se desfaz – e isto é bom! Pois é neste momento que os filhos são permitidos a crescer. É neste momento desconstrutivo da imagem de superioridade absoluta que eles se desgarram e podem assumir suas vidas, seus caminhos!

E diremos: "tão novos!", "tão imaturos!". Mas, para os pais sempre serão os ‘filhinhos'.

Estes movimentos entre heróis e anti-heróis, em que os pais se encontram, acontecem ao longo do desenvolvimento de qualquer sujeito – e sempre irão se reportar às marcas iniciais (aos cuidadores).

Mas deixar de ser supremo não significa, em hipótese alguma, deixar de ser fundamental, necessário, porto seguro. Somos sujeitos, que tomamos decisões e acreditamos que podemos fazê-las até para nossos filhos (como se pudéssemos tomar seus lugares) porque temos angústia, temos dúvidas e temos escolhas.

O problemas estará sempre em administrar tudo isto – cada escolha, uma renúncia. Não é possível ser tudo, não é possível ter tudo.



Esquecemos de que já fomos crianças e adolescentes, que já retrucamos aos mandos paternos, que já desconsideramos e já decidimos o oposto somente para contrariar – e isto nos fez ser o que somos – ter autonomia, de certa forma, mesmo escolhendo o que não nos foi proposto como melhor. Ora dá certo, ora dá errado.

O problemas é admitirmos que erramos . E sempre erramos. Não existe manual de boa formação educacional familiar. Não existe receita de ser bom pai ou boa mãe (aliás quantas vezes erramos até com as receitas de bolos e tortas). Somos sujeitos carregados de elementos formativos. Ainda que por muitas vezes desejamos que os sujeitos já nascessem prontos para serem independentes e autônomos, que graça teria? Na realidade não haveriam sujeitos, haveriam pessoas-objetos que expressariam as mesmas coisas, que responderiam da mesma forma sobre todas as questões, como robôs programados.

Valores, conceitos, regras permitem que delimitemos aspectos essenciais da vida, mas a dúvida e a angústia ainda resistirá. Entre o bem e o mal, o certo e o errado, o bom e o ruim, o sim e o não há relatividade, mas há também elementos constitutivos que permitem que a complexidade da vida seja elaborada.

Estes elementos podem ser chamados de bases estruturais, sem os quais as elaborações mais complexas não acontecem. É como aprender uma equação matemática que só é possível se aprendermos os números, a contagem, as simples somas e subtrações. Tanto quanto é para compreender um texto, ler um livro ou escrever uma história. Sem a internalização das letras isto nunca seria possível.

Por isso, não tenha medo de mostrar o que você acha que é certo ou errado, o que você acha que deve ou não deve. Não tenha receio de mostrar seus valores e aquilo que acredita. Isto não significa que os filhos farão ou pensarão tal e qual os pais. Mas significa que estão recebendo elementos constituintes, que posteriormente serão usados para expressão na vida. Do mesmo jeito ou de maneira oposta, tudo o que é aprendido e apreendido nos primeiros anos de vida conduzirão a maneira de ser e de pensar de nossos filhos.

Não há educação sem elementos bem definidos, sem delimitação, sem estrutura - e mesmo assim tudo isto não é garantia de sucesso.

Não carregar os filhos na costas, é permitir que ele assuma sua posição adulta, sua responsabilidade e a consequência de suas escolhas. Mas isto não configura negação de "colo", de acolhimento.

Estar por perto para aconselhar não é escolher por ele, é amparar nos erros, tropeços e frustrações, sem achar que pode dar um ‘jeitinho', que pode anular o sofrimento dele. Os filhos devem saber encontrar soluções maduras, conscientes e concretas como demonstração de possibilidade de ações adultas. Ao contrário, esconder-se de suas atitudes e responsabilidades é um movimento infantil.

Talvez um dia teremos que apontar um erro de nossos filhos, dizendo "sim"você errou e a responsabilidade é sua. Consolar não é redimir a culpa. Nenhum pai/ mãe/ responsável que ver seu filho sofrendo e errando, mas é bom lembrar que somos adultos e sofremos e erramos e nos frustramos e, enquanto adultos, ninguém vem nos salvar - a fada encantada ou o super-herói não surge para fazer desaparecer os causadores de nossas angústias.