Nós nos esquecemos que um dia já fomos crianças e adolescentes. Aliás, todo adulto já viveu estes momentos e sobreviveu às duras penas de não ser entendido. Nos esquecemos dos medos que nos assombravam e também das impetuosas falas.
Acontece que nos tempos da nossa infância, também aprontávamos, fazíamos bagunça, mentíamos, fazíamos coisas escondidas etc. Os meios eram outros e as tecnologias não eram avançadas, mas mesmo assim, deixávamos os adultos da época de cabelos em pé.
As coisas não mudam muito: a nova geração sempre parece mais avançada que a anterior, como se as crianças já nascem com certos conhecimentos que os adultos demoraram anos para saber.
Apesar da impressão, não éramos tão livres. Por exemplo, não participávamos das conversas dos adultos e não podíamos falar qualquer coisa para qualquer pessoa.
Nossa repressão vinha do olhar. Nossos pais, ou outros adultos, não precisavam fazer tanto esforço para nos calar ou nos parar. Não havia a necessidade do adulto fazer a criança entender o "porque" das broncas. O olhar indicava o lugar de cada um. Com o olhar deles, já sabíamos o que estavam pensando e o que queriam que fosse feito. Pode ser até que fantasiávamos muito com relação a esta recriminação, mas fazia efeito.
Isto porque já existiam elementos que nos faziam acreditar e obedecer as ordens. Já tínhamos internalizados certas ordens, normas e leis que faziam com que entendêssemos que um olhar valia uma surra.
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