As crianças pequenas, como estão em formação, possuem senso de limite ainda frágeis, ou seja, ainda estão aprendendo os limites da vida, o certo e o errado, os limites entre as relações com as pessoas e com o mundo.
De certa forma, quando adultos, sempre pensamos quando vamos fazer alguma pergunta. Pensamos em nós e na nossa vergonha, e pensamos no outro e no possível constrangimento a ser sentido. Muitas vezes, não perguntamos porque achamos que a pergunta é boba, outras vezes não perguntamos porque achamos que o outro pode ser constrangido caso não saiba responder.
Contudo, uma pergunta pode ser uma arma poderosa quando queremos encurralar o outro. Quando a intenção é deixar o outro 'sem graça', fazemos perguntas, tal como as crianças, sem se preocupar com a posição do outro.
A criança não pergunta para encurralar ou envergonher o adulto. Ela pergunta porque quer uma resposta. A busca pelo saber é o que a movimenta e a impulsiona. E como seu senso de limite, que permitiria se colocar no lugar outro, ainda não funciona como deveria, ela faz a pergunta.
Já o adolescente tem uma necessidade maior em desafiar o adulto, pelo fato de querer, ele próprio, sempre ter razão. Ou ainda, por querer constranger o adulto, mas ainda na tentativa de mostrar superioridade.
O adolescente acredita no seu conhecimento e na sua razão - e é isto que nós, adultos, mais temos saudades. Esta atitude nos faz refletir sobre duas questões:
1ª) o adolescente é desafiador;
2ª) nós, adultos, não temos todas as resposntas.
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