PALESTRAS PARA PAIS, EDUCADORES E ADOLESCENTES


LIVRO:



SOCORRO! MEU FILHO VIROU ADOLESCENTE




Para adquirir o livro, envie um e-mail para: lizarsouza@hotmail.com

Ou pelo site: www.elizandrasouza.com.br



PARA PALESTRAS LIGUE (11) 995241143









terça-feira, 21 de junho de 2011

ANÁLISE DE UM DEPOIMENTO

O DEPOIMENTO

“Queria falar uma coisa... primeiro quero falar sobre a escola, eu gosto muito da minha escola, principalmente de um garoto chamado F. e de um garoto chamado L. e, principalmente, das garotas patricinhas que elas zoam muito as coisas e elas não ficam com as patricinhas metidas... eu sou uma garota sonhadora e meu maior sonho é... seria tê sê rica, podê cantar, sei lá, mas é uma coisa muito impossível porque do jeito que é minha vida, minha vida não, a do meus pais... não dá um tempo pra fazer essas coisas de... sabe, negócios, pra tentar fazer alguma coisa pra tentar ser uma popstar (sorriso), mas eu gostaria muito... eu faço inglês e não me envolvo em nada, que nem balada, essas coisas. Eu sou caseira e eu gosto muito de Disney, assistir Disney e twittar pelo twitter... às vezes eu tenho um medo, medo não, uma incerteza e tenho meus amigos e eles me contam tudo... bom, perdão, é só isso e...”



ANÁLISE

Quero, gosto, ficam, sou, é - em geral usa os verbos no presente, em primeira pessoa e indicando mais estado que ação. Os verbos que indicam ação estão mais ligados ao outro: “elas zoam”, ëles me contam”; ou na relação com o outro, como, “twittar”, que também indica a necessidade de ‘ser vista’, de ‘fazer parte’, pois no twitter ao mesmo tempo que se comunica com vários, pode não estar se comunicando com ninguém. A palavra ‘twittar’ também indica a inserção na sociedade e na cultura que se faz pela linguagem - este é um novo verbo, que não existia há algum tempo atrás. O twitter demonstra duas características fundamentais na sociedade contemporânea: o individualismo, de um lado e o espetáculo, por outro.

“eu sou uma garota sonhadora e meu maior sonho é... seria tê sê rica, podê cantar, sei lá, mas é uma coisa muito impossível porque do jeito que é minha vida, minha vida não, a do meus pais...” - neste momento, ela apresenta a característica que mais prevalece entre os adolescentes, que é viver entre o sonho e a realidade, o que de certa forma faz com que se acredite que o adolescente viva entre a infância fantasiosa e as possibilidades reais da vida adulta. Demonstra descontentamento e resignação diante de sua realidade de vida.

“não me envolvo em nada, que nem balada, essas coisas” - parece que percebe sua realidade com mais limitações que a maior parte dos adolescentes e vê com certo preconceito o ‘envolvimento em baladas’.
 
As frases grifadas revelam ou confirmam seu lado sonhador, parece que ela vive o imaginário do ‘mundo encantado da Disney – canal de TV - , que apresenta séries, onde adolescentes realizam seus sonhos de sucesso como artistas. Ela parece ser uma adolescente solitária, que tenta viver na segurança de seu mundo.
 
“bom, perdão” - o término com a palavra ‘perdão’, pode indicar a dificuldade em falar ou expressar-se através de palavras o que pensa e sente, também pode estar relacionada a certa culpa que sente pelas suas próprias incertezas e provavelmente, por não conseguir corresponder exatamente àquilo que ela acredita que os outros esperam dela – ideal de ego freudiano.

A PESQUISA

PERGUNTA DE PESQUISA:

Como o adolescente se constituiu a partir da própria fala?

JUSTIFICATIVA :

Esta questão se confirma porque há ainda confusões sobre o que é a adolescência e qual sua importância, tanto nos aspectos sociais, físicos e biológicos, como nos aspectos psicológicos e culturais. Todo adulto já ter passou por este momento, mas ninguém melhor que o próprio adolescente para dizer sobre si mesmo e sobre esta posição que gera controvérsias.

OBJETIVOS:

Objetivo Geral: dar voz ao adolescente, que em meio a tantos contextos ainda não consegue elaborar seus limites de existência.
 
Objetivos específicos: Levantar os efeitos de sentido nos discursos dos adolescentes; demonstrar de como esses efeitos se constituem na materialidade linguística; apontar como os adolescentes constroem sua subjetividade a partir de seu discurso.

METODOLOGIA:

Serão utilizados depoimentos espontâneos e voluntários de adolescentes, através de um números de telefone, que recebe, por uma secretária eletrônica estes dizeres, sem nenhum tipo de interferência, focando as análise nos depoimentos sobre a família e o papel da escola.

E, havendo a necessidade, serão utilizados mensagens em redes sociais e apresentações em vídeos publicados na internet.

ADOLESCENTE: FALANDO DE SI

O adolescente tem muito a dizer, mas poucos espaços para ser ouvido. Isto é facilmente comprovado através das pesquisas que estudam os adolescentes, apenas pelo ponto de vista de especialistas. O adolescente é sempre dito e explicado pelos especialistas, mas não há espaç para ele se dizer. Mesmo quando é colocado a falar de si, suas considerações servem para que especialistas encerrem uma definição sobre ele, registrando assim, os comportamentos e pensamentos possíveis deste sujeito.

A adolescência hoje não pode mais ser vista apenas como uma fase de transição entre a infância e idade adulta. O adolescente pede um lugar, uma posição para se dizer. E mesmo com todos os seus conflitos e confusões, a adolescência já garantiu um lugar enquanto constituição subjetiva e posicionamento individual. Esta emergência da adolescência se traduz, principalmente, pela quantidade de objetos que podem ser consumidos por este grupo, que até há pouco tempo não era um objeto privilegiado de estudo.

Esta forma de reflexão e olhar para o adolescente surgiu com os estudos em Foucault, que me permitiu vislumbrar a adolescência como uma posição subjetiva. Foucault participou ativamente da minha mudança de olhar, pois antes também acreditava ser a adolescência uma fase de transição. Agora, percebo que, por mais que a adolescência seja parte do processo evolutivo do indivíduo, que passa também pela infância, fase adulta e velhice, o adolescente compreende uma subjetivação. É preciso que o sujeito se diga deste lugar e o adolescente se diz.

Partindo do pressuposto de que a passagem da infância para a idade adulta é vivenciado por todo ser humano, toma-se como hipótese que a adolescência foi foi se constituindo como um lugar discursivo, em especial no momento atual da sociedade do espetáculo e do consumo.

Como psicanalista, e mãe, percebo que o adolescente se promove de um determinado lugar, ou seja, uma posição subjetiva, que delimita um certo modo de ser e dizer, do qual não se pode fugir. Os adolescentes possuem produtos, cursos, programas de televisão, rádio, roupas e aparelhos específicos para corresponderem às suas demandas, por isso, considerar que este lugar é apenas uma passagem, significa ignorar aquilo que apresenta e representa.

Desta forma, a questão central que se faz é como o adolescente se constituiu a partir da própria fala? Esta questão se confirma porque há ainda confusões sobre o que é esta fase e sobre sua importância, tanto nos aspectos sociais, físicos e biológicos, como nos aspectos psicológicos e culturais. Porém, apesar de todo adulto já ter passado por este momento, ninguém melhor que o próprio adolescente para dizer sobre si mesmo e sobre esta posição que gera controvérsias externas – estudiosos, especialistas, pesquisadores, professores e pais – e internas – angústias, paixões, conflitos, etc.

Esta pesquisa tem como objetivo geral dar voz ao adolescente, que em meio a tantos contextos ainda não consegue elaborar seus limites de existência, como também, colaborar para maior delimitação deste lugar, levantando possíveis interpretações sobre a fala adolescente, fugindo do estereótipo da “aborrescência”.

Os discursos de verdade que tentam dar conta do que é ser adolescente abrangem desde a conceituação da adolescência até a sintomatologia desta posição. Portanto, ressalto que esta pesquisa não faz referência ao entendimento médico, psicológico ou pedagógico do adolescente. É possível pensar neste lugar a partir das formações discursivas que apresenta. Existe um sentido que é apontado pela formação discursiva, indicando a posição do sujeito, que neste caso é o adolescente.

Por isso, ao falar de adolescentes, falo também de formações discursivas e ideológicas que poderão ser apontados pelos depoimentos recolhidos pela pesquisa. Mais do que isto, acredito que será possível observar quais formações estão ocultas, ou aparecem claramente, nas falas do adolescentes, tentando assim apresentar como este lugar está sendo construído atualmente.

Como esta pesquisa abordará os depoimentos dos adolescentes, acredito que poderei fazer uma análise diferente, baseada na crença de que o adolescente pode dizer de si e de suas relações com o mundo.

Para isto, será oferecido um espaço exclusivo e anônimo, onde o adolescente poderá dizer sobre o que quiser e da forma que quiser. Este espaço é formado por um número de telefone específico para o recolhimento dos depoimentos. Escolhi esta forma de levantamento pela possibilidade do anonimato e impossibilidade de intervenção. Quando ligam, escutam somente uma mensagem de saudação e agradecimento. Não existe indução de tema, tampouco perguntas a serem respondidas, criando assim, um espaço livre para falar. Por isso, a pesquisa poderá analisar aspectos ideológicos, de relacionamentos, de interesses, de estranhamentos entre outros, que os adolescentes apresentem, inclusive as possibilidades de mentiras, quando não forem adolescentes ou quando contarem histórias mirabolantes e os possíveis trotes.

As análises acontecerão a partir do discurso dos próprios adolescentes, isto significa que não existe um assunto ou uma linha a seguir ao fazer os depoimentos. Eles são livres para dizer o que querem. Portanto, as análises serão pautadas nos assuntos de interesses do adolescente, sejam a família, a escola, os amigos, a sexualidade, a violência, os sonhos etc.

BULLYING - RELAÇŌES PERIGAS

Quando se fala em bullying, a primeira idéia que nos vem à mente é a agressividade, porém quando ampliamos nosso pensamento sobre este assunto vemos que por trás desta agressividade existe um número muito grande de outros sentimentos e emoções, que nem sempre é apreendido pelo discurso daquele que justifica seu ato.


Ressaltamos a influência da educação nestes casos, principalmente, na forma hoje, que se apresentam os comportamentos de crianças e adolescentes. Em todo o mundo, as taxas de prevalência de bullying, revelam que entre 5% a 35% dos alunos estão envolvidos no fenômeno. Porém, o bullying não está ligado somente às atitudes juvenis. Este comportamento hostil também acontece com adultos, muitas vezes como forma de defesa ou proteção.


O sujeito se comporta contrariamente ao que inconscientemente reconhece em si. As atitudes agressivas e hostis com relação aos colegas aparece como tentativa de mascarar seu próprio sentimento de inferioridade. Como animais acuados que atacam, ao invés de se renderem, os sujeitos considerados bullies não encontram outras formas de se posicionarem na vida, diante de pessoas ou situações, senão pela violência. Ele tem necessidade de dominar, de subjugar e de impor sua autoridade sobre outrem, mediante coação; necessidade de aceitação e de pertencimento a um grupo; de auto-afirmação, de chamar a atenção para si. Possui ainda, a inabilidade de expressar seus sentimentos mais íntimos, de se colocar no lugar do outro e de perceber suas dores e sentimentos.


Esta violência assume o caráter etiológico do violar, como se, realmente, apoderasse de algo do outro para assumir como seu. O bullie viola não só as leis, a moral e a disciplina, mas principalmente, viola o sujeito naquilo que ele mais tenta conservar que é o ‘direito'. Direito à integridade física e psíquica. Direito à fala e ao movimento. Direito à opinião, à criação de hipóteses e à discordância.


Por outro lado, sob o arcabouço de seu modo agressivo, existe um ser que sofre. E não sabe nada sobre seu sofrimento, pois ele não comparece após um ato violento. Seu sofrimento é anterior e seus comportamentos agem como um véu, que escondem, abafam e tentam anular sua dor.

Em psicanálise, quando falamos desta dor ou deste sofrimento, não falamos de algo consciente, tampouco que seja algo motivo de pena. Não é algo se pode justificar os atos agressivos, mas sim, aquilo que indica a sujeição, aquilo que diz do sujeito sem ele saber.


Estudar as causas de bullying incluem diversas matérias ou ramos do saber. As perspectivas sociais, educacionais, políticas, econômicas e subjetivas devem ser trabalhadas de forma interdisciplinar para tratar este comportamento, que não é recente, mas é atualmente muito freqüente.


A psicanálise traz mais um ponto de vista. Um novo olhar que atua naquilo que não é dito no discurso do sujeito, mas é produzido por este discurso. Mais do que escutar aquele que sofre o bullying, é preciso escutar o próprio agressor, para quem sabe, possamos entender a dinâmica deste processo de subjetivação.


Lacan, que frisa a idéia da responsabilidade do sujeito: "A verdade que a psicanálise pode conduzir o criminoso não pode ser desvinculada da base da experiência que a constitui, e essa base é a mesma que define o caráter sagrado da ação médica – ou seja, o respeito pelo sofrimento do homem." (Escritos)


Elizandra Souza
Psicanalista
Comissão de Ética do SINPESP
www.elizandrasouza.com.br

ACOMPANHE A PESQUISA

ACOMPANHE A PESQUISA

De 01/11/2010 a 31/07/2011 - Levantamento de depoimentos

De 01/06/2011 a 15/10/2011 - Escuta e análise dos depoimentos

De 15/10/2011 a 30/11/2011 - Resultado e escrita

De 01/10/2011 a 15/10/2011 - Revisões e retoques finais

Setembro - Apresentação final



Obs: as datas podem ser alteradas de acordo com as necessidades da pesquisa ou da pesquisadora.

VOZ ADOLESCENTE

PROJETO

As análises terão como fundamento o entendimento de uma posição e não a resolução de problemas. Por outro lado, sabemos que o entendimento mais amplo de uma determinada posição permite novas formas de relação.


A hipótese principal da pesquisa é de que a adolescência não é somente uma fase de transição entre a infância e a fase adulta. Esta hipótese se consolida pelas relações do adolescente com suas vontades, seus medos e seus consumos.


Acreditamos que, um dos principais locais que demarca os conflitos desta posição é a escola, pois neste momento, o adolescente tem suas relações ampliadas através do meio social escolar.



OBJETIVO

Esta pesquisa visa entender a posição do adolescente, hoje, a partir de sua própria fala. Queremos escutar o que o adolescente tem a dizer e como, através do seu discurso, é possível compreender sua constituição.



PARA PARTICIPAR


Pedimos depoimentos espontâneos de adolescentes de 11 a 17 anos, que queiram dizer sobre o que é ser adolescente hoje e como acontecem as influências familiares, sociais e escolares. Não existe um formato em como dizer, nem regras, nem descrição do que deve ser dito.
Este canal será especificamente para o adolescente falar o que quiser, quando e como quiser.


Ligue para o número (11) 4063-1425, você pode falar sobre seus medos e dúvidas. sobre suas aflições e desejos. Pode fazer desabafos e contar sobre suas angústias. Não é necessário dizer nome ou fazer qualquer tipo de identificação.


Não existirá nenhum tipo de conversa ou retorno, pois é uma secretária eletrônica que recebe os depoimentos.
Conforme o projeto for desenvolvido, serão colocadas informações no site para acompanhamento dos interessados.


Qualquer dúvida ou questionamento, principalmente dos pais, podem ser sanadas pelo e-mail: lizarsouza@hotmail.com