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terça-feira, 21 de junho de 2011

ADOLESCENTE: FALANDO DE SI

O adolescente tem muito a dizer, mas poucos espaços para ser ouvido. Isto é facilmente comprovado através das pesquisas que estudam os adolescentes, apenas pelo ponto de vista de especialistas. O adolescente é sempre dito e explicado pelos especialistas, mas não há espaç para ele se dizer. Mesmo quando é colocado a falar de si, suas considerações servem para que especialistas encerrem uma definição sobre ele, registrando assim, os comportamentos e pensamentos possíveis deste sujeito.

A adolescência hoje não pode mais ser vista apenas como uma fase de transição entre a infância e idade adulta. O adolescente pede um lugar, uma posição para se dizer. E mesmo com todos os seus conflitos e confusões, a adolescência já garantiu um lugar enquanto constituição subjetiva e posicionamento individual. Esta emergência da adolescência se traduz, principalmente, pela quantidade de objetos que podem ser consumidos por este grupo, que até há pouco tempo não era um objeto privilegiado de estudo.

Esta forma de reflexão e olhar para o adolescente surgiu com os estudos em Foucault, que me permitiu vislumbrar a adolescência como uma posição subjetiva. Foucault participou ativamente da minha mudança de olhar, pois antes também acreditava ser a adolescência uma fase de transição. Agora, percebo que, por mais que a adolescência seja parte do processo evolutivo do indivíduo, que passa também pela infância, fase adulta e velhice, o adolescente compreende uma subjetivação. É preciso que o sujeito se diga deste lugar e o adolescente se diz.

Partindo do pressuposto de que a passagem da infância para a idade adulta é vivenciado por todo ser humano, toma-se como hipótese que a adolescência foi foi se constituindo como um lugar discursivo, em especial no momento atual da sociedade do espetáculo e do consumo.

Como psicanalista, e mãe, percebo que o adolescente se promove de um determinado lugar, ou seja, uma posição subjetiva, que delimita um certo modo de ser e dizer, do qual não se pode fugir. Os adolescentes possuem produtos, cursos, programas de televisão, rádio, roupas e aparelhos específicos para corresponderem às suas demandas, por isso, considerar que este lugar é apenas uma passagem, significa ignorar aquilo que apresenta e representa.

Desta forma, a questão central que se faz é como o adolescente se constituiu a partir da própria fala? Esta questão se confirma porque há ainda confusões sobre o que é esta fase e sobre sua importância, tanto nos aspectos sociais, físicos e biológicos, como nos aspectos psicológicos e culturais. Porém, apesar de todo adulto já ter passado por este momento, ninguém melhor que o próprio adolescente para dizer sobre si mesmo e sobre esta posição que gera controvérsias externas – estudiosos, especialistas, pesquisadores, professores e pais – e internas – angústias, paixões, conflitos, etc.

Esta pesquisa tem como objetivo geral dar voz ao adolescente, que em meio a tantos contextos ainda não consegue elaborar seus limites de existência, como também, colaborar para maior delimitação deste lugar, levantando possíveis interpretações sobre a fala adolescente, fugindo do estereótipo da “aborrescência”.

Os discursos de verdade que tentam dar conta do que é ser adolescente abrangem desde a conceituação da adolescência até a sintomatologia desta posição. Portanto, ressalto que esta pesquisa não faz referência ao entendimento médico, psicológico ou pedagógico do adolescente. É possível pensar neste lugar a partir das formações discursivas que apresenta. Existe um sentido que é apontado pela formação discursiva, indicando a posição do sujeito, que neste caso é o adolescente.

Por isso, ao falar de adolescentes, falo também de formações discursivas e ideológicas que poderão ser apontados pelos depoimentos recolhidos pela pesquisa. Mais do que isto, acredito que será possível observar quais formações estão ocultas, ou aparecem claramente, nas falas do adolescentes, tentando assim apresentar como este lugar está sendo construído atualmente.

Como esta pesquisa abordará os depoimentos dos adolescentes, acredito que poderei fazer uma análise diferente, baseada na crença de que o adolescente pode dizer de si e de suas relações com o mundo.

Para isto, será oferecido um espaço exclusivo e anônimo, onde o adolescente poderá dizer sobre o que quiser e da forma que quiser. Este espaço é formado por um número de telefone específico para o recolhimento dos depoimentos. Escolhi esta forma de levantamento pela possibilidade do anonimato e impossibilidade de intervenção. Quando ligam, escutam somente uma mensagem de saudação e agradecimento. Não existe indução de tema, tampouco perguntas a serem respondidas, criando assim, um espaço livre para falar. Por isso, a pesquisa poderá analisar aspectos ideológicos, de relacionamentos, de interesses, de estranhamentos entre outros, que os adolescentes apresentem, inclusive as possibilidades de mentiras, quando não forem adolescentes ou quando contarem histórias mirabolantes e os possíveis trotes.

As análises acontecerão a partir do discurso dos próprios adolescentes, isto significa que não existe um assunto ou uma linha a seguir ao fazer os depoimentos. Eles são livres para dizer o que querem. Portanto, as análises serão pautadas nos assuntos de interesses do adolescente, sejam a família, a escola, os amigos, a sexualidade, a violência, os sonhos etc.

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