No discurso adolescente permeia a necessidade de inclusão social e participação em um grupo e, consequentemente, institui-se formas e maneiras de ser. Ele escolhe isto para sair da posição que se acha preso, ou seja, no berço familiar, onde parece que ele nada escolhe.
O adolescente, a todo momento, tenta alavancar uma liberdade, por acreditar que está sob amarras que não quer pertencer, pelo menos naquele momento. Há, portanto, um constructo, pelas ideologias que carrega em direção a um novo posicionamento do sujeito.
A linguagem, hoje, para o sujeito adolescente é principalmente constituída pelo mundo virtual, pela necessidade de ser observado e pela facilidade no consumo. Aquele que não se insere neste discurso é considerado “fora” das relações sociais e da cultura.
Para os adolescentes, que já nasceram nesta linguagem, a não utilização da internet ou do celular, é uma amarra e uma impossibilidade de sobrevivência. A necessidade está não apenas pelo consumo acelerado, mas principalmente, como forma de buscar e fazer parte de um grupo. As redes sociais são prova de que mesmo na propaganda da individualidade, ainda a constituição através dos grupos é primordial para os sujeitos.
A pós-modernidade permite que o sujeito se coloque de forma mais pura, na liberdade de expressão subjetiva. O corpo que antes era preso aos uniformes, aos enquadres, na pós-modernidade, se estende, não possui mais contrários definidos, não se contém num espaço determinado. O exagero dessa nova forma de inserção social toma a sociedade ou os sujeitos psicotizantes ou psicotizados, entendendo este como aquele que não tem percepção dos próprios limites do corpo, tem dificuldade de perceber o outro, não tem compreensão total do mundo simbólico.
PALESTRAS PARA PAIS, EDUCADORES E ADOLESCENTES
SOCORRO! MEU FILHO VIROU ADOLESCENTE

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quinta-feira, 8 de março de 2012
Análise de depoimento
"Oi, é... eu não quero me identificar, mas quero muito me abrir, tá acontecendo comigo, é, coisas muito difíceis, é, pelo fato de eu ter só 13 anos, eu acho que é muito peso pra mim... eu tô sofrendo muito, é, ..., meu ..., é... eu me sinto gorda, de verdade, sinto que os meninos não olham pra mim por causa do meu peso, mas todo mundo fala que eu tenho peso normal e..., eu tenho o peso ideal para minha altura, eu tenho 1.54 e peso... 45 kilos... e eu não aguento mais o julgamento das pessoas, é muito triste pra mim... eu tô..."
Análise
O fato da menina querer se abrir tem relação com a dificuldade encontrada pelas pelas pessoas, de forma geral, em encontrar um espaço para dizer de si e de suas dificuldades. Não porque não existem profissionais para isto, mas acredito que por duas grandes dificuldades: primeiro, os amigos ou parentes, aos quais sempre nos dirigimos para desabafar, já não estão tão à disposição, pois a sociedade atual demonstra que a individualidade é permanente. Cada sujeito pensa em si mesmo, busca seus objetivos mais individuais, apontando mais uma vez a desqualificação do outro, como se este não existisse. Por outro lado, há uma impossibilidade de se dizer – aquilo que não é expresso em palavras. Para conseguirmos nos expressar e encontrar as palavras possíveis de serem ditas, há que existir uma inserção do simbólico de forma estruturada, pois falamos através do meio simbólico. Hoje, há grande dificuldade de expressão em palavras de si mesmo.
Quando fala que há coisas muito difíceis, podemos interpretar o quanto há de sofrimento para esta menina de 13 anos, que não está encontrando lugares ou formas adequadas para desgarregar o represamento de sua angústia. Logo em seguida em fala é muito peso pra mim, ainda demonstrando que a carga que carrega está se tornando insuportável, mas que se segue de um outro sentido para a mesma palavra, peso, significando o estado físico-corporal. Uma mesma palavra, em sentidos diferentes, mas que organizam a angústia deste sujeito.
Em seguida, diz de duas percepções, que é sua e não pode ser objetivada como concreta, mas que, enquanto sujeito, este faz as interpretações sobre as coisas a sua volta a partir de seu próprio estado (psíquico/emocional): sinto que os meninos não olham pra mim por causa do meu peso, e mais adiante diz: o julgamento das pessoas.
Ainda com a frase: sinto que os meninos não olham pra mim por causa do meu peso, vemos, mais uma vez, a apresentação da necessidade de ser olhada ( e até desejada), inserida no discurso de beleza da sociedade atual, imersa na sociedade do espetáculo, onde é necessário ser visto.
Análise
O fato da menina querer se abrir tem relação com a dificuldade encontrada pelas pelas pessoas, de forma geral, em encontrar um espaço para dizer de si e de suas dificuldades. Não porque não existem profissionais para isto, mas acredito que por duas grandes dificuldades: primeiro, os amigos ou parentes, aos quais sempre nos dirigimos para desabafar, já não estão tão à disposição, pois a sociedade atual demonstra que a individualidade é permanente. Cada sujeito pensa em si mesmo, busca seus objetivos mais individuais, apontando mais uma vez a desqualificação do outro, como se este não existisse. Por outro lado, há uma impossibilidade de se dizer – aquilo que não é expresso em palavras. Para conseguirmos nos expressar e encontrar as palavras possíveis de serem ditas, há que existir uma inserção do simbólico de forma estruturada, pois falamos através do meio simbólico. Hoje, há grande dificuldade de expressão em palavras de si mesmo.
Quando fala que há coisas muito difíceis, podemos interpretar o quanto há de sofrimento para esta menina de 13 anos, que não está encontrando lugares ou formas adequadas para desgarregar o represamento de sua angústia. Logo em seguida em fala é muito peso pra mim, ainda demonstrando que a carga que carrega está se tornando insuportável, mas que se segue de um outro sentido para a mesma palavra, peso, significando o estado físico-corporal. Uma mesma palavra, em sentidos diferentes, mas que organizam a angústia deste sujeito.
Em seguida, diz de duas percepções, que é sua e não pode ser objetivada como concreta, mas que, enquanto sujeito, este faz as interpretações sobre as coisas a sua volta a partir de seu próprio estado (psíquico/emocional): sinto que os meninos não olham pra mim por causa do meu peso, e mais adiante diz: o julgamento das pessoas.
Ainda com a frase: sinto que os meninos não olham pra mim por causa do meu peso, vemos, mais uma vez, a apresentação da necessidade de ser olhada ( e até desejada), inserida no discurso de beleza da sociedade atual, imersa na sociedade do espetáculo, onde é necessário ser visto.
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