Estamos vivendo um momento em que as teorias não alcançam objetivamente o que é o sujeito. Temos a medicina, a psicologia e sociologia entre outras que se esforçam em tentar responder esta questão. Porém, não é algo fácil se responder visto que cada área do saber tem suas concepções para entender o que e quem é este sujeito, este homem que se apresenta na atualidade.
O que movimenta o desenvolvimento do sujeito é a confrontação do externo com o interno. Os elementos que vem do meio permitem a construção de suas representações, que introjetadas servem para o sujeito construir e reorganizar sua formação psíquica. Esta reorganização é necessariamente marcada pelos valores sociais, pelos atributos externos e pelas condições de conceituação que é absorvida pelo sujeito.
O sujeito é constituído. Baseando-se em Foucault (2007) ou em Lacan (1998), a afirmação é a mesma. O sujeito não é dado, não é um ente, não é o ser propriamente dito. . A possibilidade de emergir o sujeito está no fato de o homem não ser completo. Em algum momento, o homem questiona sua incompletude porque isto o desconcerta, o descentraliza. Por isso, apesar de o homem biológico já existir, o sujeito (o homem de posições, de estudo, escolhas) surge em determinadas condições discursivas.
Por acreditar que o sujeito é uma construção, abordo a questão do adolescente pelo menos parâmetro: uma construção discursiva e subjetiva. Há alguns anos não era comum assuntos sobre o adolescente. Por isso, entendemos que o adolescente também emergiu num determinado momento histórico e cultural. Não trago preocupações com delimitação de idades, ao contrário, fazer estas delimitações temporais seria colocar o adolescente como um indivíduo que necessariamente é, ou seja, estático, assim como o bebê é e não existe sujeição.
Contudo, o adolescente é um sujeito constituído, que pelos discursos médicos, pedagógicos, sociais ou psicológicos, assumiu um lugar e se diz a partir daí. E, enquanto sujeito constituído, não é todo, não é completo, por isso, tem questionamentos.
Pelo entendimento da cisão do sujeito, não podemos aceitar a conclusão simplista de ‘fase’, que é tão difundida. Se pudéssemos considerar o adolescente um indivíduo que vivencia uma fase, delimitada por idade, então teríamos um objeto qualificado para estudo e, portanto, teríamos soluções, ou melhor, conclusões fechadas sobre as problemáticas apresentadas pelos adolescentes ou pelos seus pares (pais, professores, familiares). É justamente por esta impossibilidade que tomamos o adolescente como uma posição subjetiva, que pede formações, transformações, mas que não se fecha, não estabiliza.
Enquanto sujeitos, sofremos influências que desestabilizam nossos conceitos, concepções e visões de mundo e de nos mesmos. A forma como apreendemos os ensinamentos, os valores, as palavras e todos os elementos externos irá contribuir ou não para termos identificações mais ou menos delimitadas.
As palavras, os exemplos, as imagens, os sons são todos elementos que participam da constituição. Denominando-as ideologias ou identificações, é possível perceber que o sujeito não é dado, e se constitui, sendo discursivamente ou pelas identificações psicanalíticas.
O adolescente é o maior exemplo, hoje, do sujeito líquido, pós-moderno. Ele está em constantes desdobramentos, mostrando-se contraditório em seus pensamentos e movimentos. Munido de discursos heterogêneos, não apresenta solidez, ao mesmo tempo, que não apresenta base estrutural. É maleável, inconstante, que busca nos grupos uma identificação que possa lhe responder “quem ele é”.
No discurso adolescente permeia a necessidade de inclusão social e participação em um grupo e, consequentemente, institui formas e maneiras de ser e, ainda que tente alavancar uma liberdade, está preso, pelo menos naquele momento, a um constructo, pelas ideologias que carrega, de novo posicionamento do sujeito. Ao pertencer a um grupo, ter uma só identidade há uma certa proteção ao sujeito, pois há uma sólida fixação dos conceitos de sua constituição, porém, por outro lado, o sujeito esbarra com os pré-conceitos, ou seja, há maior impossibilidade de entender e aceitar o outro/ o diferente, as outras identidades.
O adolescente, que se constitui em meio a discursos que visavam explicar e justificar os problemas apresentadas por um certo número de pessoas, num certo momento de vida. Contudo, hoje, é claro perceber que toda a problemática aplicada à adolescência é observada em qualquer formação subjetiva. Procuramos, ao longo da vida, aquilo que vai responder quem somos e o adolescente é mais um nesta busca.
O adolescente se constituiu nesta sociedade atual e, por isso, seria impossível apresentar-se como um objeto já consolidado, que está a mercê de pura observação e manifestação alheia. O sujeito cindido fala porque é constituído pela linguagem, por isso, o sujeito adolescente precisa ser escutado. Somente ele pode expressar a dimensão de sua subjetividade.
PALESTRAS PARA PAIS, EDUCADORES E ADOLESCENTES
SOCORRO! MEU FILHO VIROU ADOLESCENTE

Para adquirir o livro, envie um e-mail para: lizarsouza@hotmail.com
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PARA PALESTRAS LIGUE (11) 995241143
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terça-feira, 9 de agosto de 2011
domingo, 7 de agosto de 2011
Análise de um depoimento
DEPOIMENTO
“Ah! É uma experiência maravilhosa ser adolescente, assim, na escola eu fico feliz porque eu consegui passar de ano, né... Mas o menino que eu gosto, ai (choro), ele não gosta de mim (suspiro), mas vou mudar de assunto porque eu tenho o apoio da minha família (choro), ai, ai. Foi difícil eu conseguir ligar pra cá, mas é tão bom ter um projeto desse, que alguém ouça alguém. Eu parabenizo, parabenizo as pessoas que tomaram esta iniciativa (tosse, engasgo). Eu agradeço a todos, é tão bom poder falar com alguém, que você sabe que vai te ouvir, né. Obrigado... Mas ele não gosta de mim. Mas sou grata a Deus por tudo que ele faz por mim. Graças a Deus eu sou tão bem na escola. Eu tô tão bem na minha família. Eu vou encontrar pessoas que gostam de mim. Não vai ser um menino que vai fazer eu sofrer tanto, ai (suspiro). ) Muito obrigado por vocês estarem tomando esta iniciativa, quando eu recebi o panfleto na minha escola eu fiquei tão grata. Na verdade, foi em frente da minha escola... Mas eu fiquei tão feliz com essa iniciativa... Muito obrigado gente, tchau.”
ANÁLISE
Ela mal começa falar de sua dor, já quer mudar de assunto, ou melhor, não quer falar de sua dor, nas paradas demonstra sua angústia.
É possível perceber a necessidade da depoente em falar com alguém, o que leva a pensar sobre o apoio que ela diz que sua família lhe oferece. O depoimento emocionado demonstra o quanto ela guarda seus sentimentos e talvez não tenha ninguém para dividir suas dores.
“Mas sou grata a Deus por tudo que ele faz por mim. Graças a Deus eu sou tão bem na escola. Eu tô tão bem na minha família.” – parece estar a procura de uma compensação.
Percebemos os discursos pelos quais a depoente é atravessada: religioso, pois Deus lhe dá coisas boas, que devem ser valorizadas e o discurso do ‘final feliz’, que existe na cultura e nas novelas e que incide o pensamento dos mitos de amor, como por exemplo o da ‘alma gêmea’.
Existe, ainda, a crença da realização do ‘conto de fada’, o que chamo, particularmente de complexo de princesa, que dentre outras coisas, vivem paralelamente, pela fantasia um mundo encantado que se distancia da realidade.
“Não vai ser um menino que vai fazer eu sofrer tanto, ai” (suspiro). (tentativa de acreditar num discurso que está completamente fora daquilo que ela sente, num misto de negação e racionalização.
Os ‘mas’ demonstram os contrapontos dos seus pensamentos e sentimentos.
Utiliza muitos verbos que indicam ‘estado’, como ficar e ser, parecendo que o sofrimento amoroso causa paralisia, não ação.
“Ah! É uma experiência maravilhosa ser adolescente, assim, na escola eu fico feliz porque eu consegui passar de ano, né... Mas o menino que eu gosto, ai (choro), ele não gosta de mim (suspiro), mas vou mudar de assunto porque eu tenho o apoio da minha família (choro), ai, ai. Foi difícil eu conseguir ligar pra cá, mas é tão bom ter um projeto desse, que alguém ouça alguém. Eu parabenizo, parabenizo as pessoas que tomaram esta iniciativa (tosse, engasgo). Eu agradeço a todos, é tão bom poder falar com alguém, que você sabe que vai te ouvir, né. Obrigado... Mas ele não gosta de mim. Mas sou grata a Deus por tudo que ele faz por mim. Graças a Deus eu sou tão bem na escola. Eu tô tão bem na minha família. Eu vou encontrar pessoas que gostam de mim. Não vai ser um menino que vai fazer eu sofrer tanto, ai (suspiro). ) Muito obrigado por vocês estarem tomando esta iniciativa, quando eu recebi o panfleto na minha escola eu fiquei tão grata. Na verdade, foi em frente da minha escola... Mas eu fiquei tão feliz com essa iniciativa... Muito obrigado gente, tchau.”
ANÁLISE
Ela mal começa falar de sua dor, já quer mudar de assunto, ou melhor, não quer falar de sua dor, nas paradas demonstra sua angústia.
É possível perceber a necessidade da depoente em falar com alguém, o que leva a pensar sobre o apoio que ela diz que sua família lhe oferece. O depoimento emocionado demonstra o quanto ela guarda seus sentimentos e talvez não tenha ninguém para dividir suas dores.
“Mas sou grata a Deus por tudo que ele faz por mim. Graças a Deus eu sou tão bem na escola. Eu tô tão bem na minha família.” – parece estar a procura de uma compensação.
Percebemos os discursos pelos quais a depoente é atravessada: religioso, pois Deus lhe dá coisas boas, que devem ser valorizadas e o discurso do ‘final feliz’, que existe na cultura e nas novelas e que incide o pensamento dos mitos de amor, como por exemplo o da ‘alma gêmea’.
Existe, ainda, a crença da realização do ‘conto de fada’, o que chamo, particularmente de complexo de princesa, que dentre outras coisas, vivem paralelamente, pela fantasia um mundo encantado que se distancia da realidade.
“Não vai ser um menino que vai fazer eu sofrer tanto, ai” (suspiro). (tentativa de acreditar num discurso que está completamente fora daquilo que ela sente, num misto de negação e racionalização.
Os ‘mas’ demonstram os contrapontos dos seus pensamentos e sentimentos.
Utiliza muitos verbos que indicam ‘estado’, como ficar e ser, parecendo que o sofrimento amoroso causa paralisia, não ação.
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