DEPOIMENTO
“Ah! É uma experiência maravilhosa ser adolescente, assim, na escola eu fico feliz porque eu consegui passar de ano, né... Mas o menino que eu gosto, ai (choro), ele não gosta de mim (suspiro), mas vou mudar de assunto porque eu tenho o apoio da minha família (choro), ai, ai. Foi difícil eu conseguir ligar pra cá, mas é tão bom ter um projeto desse, que alguém ouça alguém. Eu parabenizo, parabenizo as pessoas que tomaram esta iniciativa (tosse, engasgo). Eu agradeço a todos, é tão bom poder falar com alguém, que você sabe que vai te ouvir, né. Obrigado... Mas ele não gosta de mim. Mas sou grata a Deus por tudo que ele faz por mim. Graças a Deus eu sou tão bem na escola. Eu tô tão bem na minha família. Eu vou encontrar pessoas que gostam de mim. Não vai ser um menino que vai fazer eu sofrer tanto, ai (suspiro). ) Muito obrigado por vocês estarem tomando esta iniciativa, quando eu recebi o panfleto na minha escola eu fiquei tão grata. Na verdade, foi em frente da minha escola... Mas eu fiquei tão feliz com essa iniciativa... Muito obrigado gente, tchau.”
ANÁLISE
Ela mal começa falar de sua dor, já quer mudar de assunto, ou melhor, não quer falar de sua dor, nas paradas demonstra sua angústia.
É possível perceber a necessidade da depoente em falar com alguém, o que leva a pensar sobre o apoio que ela diz que sua família lhe oferece. O depoimento emocionado demonstra o quanto ela guarda seus sentimentos e talvez não tenha ninguém para dividir suas dores.
“Mas sou grata a Deus por tudo que ele faz por mim. Graças a Deus eu sou tão bem na escola. Eu tô tão bem na minha família.” – parece estar a procura de uma compensação.
Percebemos os discursos pelos quais a depoente é atravessada: religioso, pois Deus lhe dá coisas boas, que devem ser valorizadas e o discurso do ‘final feliz’, que existe na cultura e nas novelas e que incide o pensamento dos mitos de amor, como por exemplo o da ‘alma gêmea’.
Existe, ainda, a crença da realização do ‘conto de fada’, o que chamo, particularmente de complexo de princesa, que dentre outras coisas, vivem paralelamente, pela fantasia um mundo encantado que se distancia da realidade.
“Não vai ser um menino que vai fazer eu sofrer tanto, ai” (suspiro). (tentativa de acreditar num discurso que está completamente fora daquilo que ela sente, num misto de negação e racionalização.
Os ‘mas’ demonstram os contrapontos dos seus pensamentos e sentimentos.
Utiliza muitos verbos que indicam ‘estado’, como ficar e ser, parecendo que o sofrimento amoroso causa paralisia, não ação.
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