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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Linguagem, cultura e constituição do sujeito

O sujeito se constitui através das suas relações com o mundo. Desde o nascimento, é pela relação com um outro que é possível para a criança se diferenciar e sair da simbiose mãe-criança. Ser um sujeito no mundo é ser diferenciado na sua subjetividade, e através dela poder participar do social.


Durante toda a vida do sujeito, a relação feita no indivíduo, enquanto um sujeito não constituído do nascimento, enquanto marcas particulares do materno com seus cuidados, às relações feitas pelo indivíduo nos caminhos de sua constituição, são relações necessárias. Como Sauret lembra para se fazer um filho são necessários um homem e uma mulher, mas para se fazer um sujeito é preciso mais que isso.


Portanto, o sujeito é modelado pelas suas relações, e se o é, é porque não nasce pronto para ter condição social, é necessário que esta condição se coloque para ele. O que traz o indivíduo ao nascer é um conjunto de impulsos incontroláveis que precisam ser guiados em direção a um lugar, como nos coloca Freud "... torna possível supor que o caráter do ego é um precipitado de caquexias objetais abandonadas e que ele contém a história dessas escolhas de objeto."


A linguagem é profundamente determinada pelo momento histórico, pelas contradições sociais e pelos conflitos ideológicos – de classe, de gerações, de gênero, de grupos étnicos etc. Ela é produto inconsciente, pré-consciente e consciente dessas contradições. Sua função comunicativa possui também uma importante instância de integração e de ocultação das contradições sociais.


A teoria lacaniana trata a linguagem como condição de possibilidade quando a situa como coisa concreta entre o sujeito e ele mesmo, entre o sujeito e o outro, e entre o sujeito e a realidade.


Para Lacan (1998), o inconsciente estruturado como linguagem apresenta a linguagem tomada pelo sujeito como coisa já pronta e outorgada pelo "Outro", para que, com este, o sujeito possa entrar em relação e suprir suas necessidades. Do mesmo modo, só a linguagem permite que o inconsciente apareça e realize suas operações e transformações. Fora dela o inconsciente não existe ou, pelo menos, é impensável, irreconhecível e inapreensível. Além disso, a linguagem, ou, mais propriamente, a sua estrutura, é o conjunto ou o sistema que delimita o inconsciente como fenômeno: não sabemos de sua existência senão na estrutura.


Por "estrutura da linguagem", Lacan (1998) compreende uma cadeia em movimento constante e inter-relacionada de significantes e significados, sempre com a prevalência dos significantes. O fato de que um significante remeta sempre a outro significante num investimento infinito, faz dos significados elementos supérfluos e também inócuos com relação à essência do sujeito. A estrutura da linguagem é concebida como condição de possibilidade do próprio inconsciente, porque, pelo menos, não se pode conceber a sua natureza independente do meio pelo qual ele se manifesta. A partir desta tese, há várias conseqüências para a metapsicologia.


A linguagem é concebida então como instrumento natural de comunicação humana, que surgiu na própria evolução da espécie, e é tão contingente quanto ela mesma ou qualquer dos recursos que ela utiliza para a sua preservação.