A linguagem, geralmente, é concebida como instrumento natural de comunicação humana, que surgiu na própria evolução da espécie, e é tão contingente quanto ela mesma ou qualquer dos recursos que ela utiliza para a sua preservação.
A aquisição da linguagem é caracterizada por etapas que vão do balbucio e da constituição dos primeiros repertórios de sons até a emergência da consolidação de formas gramaticais e da constituição de uma variedade de palavras.
Para melhor compreender o percurso da aquisição da linguagem, é importante e fundamental, levar em consideração também a natureza e o nível do desenvolvimento da linguagem na criança, em termos de conhecimento e de funcionamento.
Em idades precoces a comunicação é, sobretudo afetiva e inicialmente extra-verbal. Passando por seus corpos e refletindo sentimentos e emoções. Esta comunicação se realiza, sobretudo durante os cuidados maternais. O trabalho desta comunicação é estabelecer um diálogo, um acordo afetivo que se caracteriza pela harmonia e sincronicidade dos envolvidos (criança e cuidador ou mãe/bebê), que acontece durante os cuidados e as brincadeiras.
A criança em idade pré-escolar ainda não adquiriu o todo da linguagem, ou seja, ainda não domina todos os símbolos e articulações fundamentais da linguagem, o que permite-se manipular diversos elementos da linguagem. Dentro do contexto escolar é favorecido o ensinamento da língua e de seus instrumentos de conhecimentos através de recursos pedagógicos.
A utilização de substituições e combinações na língua caracteriza movimentos da criança com relação à linguagem. Num primeiro momento os enunciados da criança precisam ser interpretados pelo adulto para ter uma significação e prosseguimento. No segundo momento a criança toma a fala do outro como referência, e incorpora fragmentos dessa fala, mas já demonstra certa singularidade. Disto decorre posteriormente a fala mais complexa da criança com as pausas e interferência, assim como as tentativas de argumentação, numa posição de possibilidade de se escutar.
A linguagem não é a simples comunicação, mas o que insere o sujeito em seu meio, pois cada palavra não significa em si, mas traz o aporte de significantes necessários para sua constituição. São estes significantes que revelam o que é o sujeito. Porém os significantes surgem e são atuantes somente na presença de um outro, tanto de um outro significante como de um outro – pessoa – a quem se dirige, um outro sujeito.
A linguagem é uma produção determinada pelo momento histórico, nas suas contradições sociais e conflitos ideológicos – de classe, de gerações, de gênero, de grupos étnicos etc. Ela é produto inconsciente, pré-consciente e consciente desse jogo do ser com o mundo.
A tomada de palavras sugere um aporte de significantes, que vão surgindo pelos processos de identificação dos elementos inscritos no inconsciente, sejam imagens ou símbolos. De acordo com Lacan a identificação imaginária tem a ver com a origem do eu, enquanto que a identificação simbólica origina o sujeito do inconsciente, que vai fazer relação com a imagem do eu.
Quando diz de si através do ‘eu’, o sujeito aponta sua inserção na história, deslizando sob os significantes e seus significados. O sujeito é representado por um significante para outro significante. A linguagem instala a ordem simbólica no sujeito e possibilita a produção dos significantes que guiaram sujeito no decurso de sua vida e nos discursos. Todas as formas de expressão do sujeito são derivadas da cadeia de significantes.
Para a psicanálise aprender a ler e escrever tem a ver com sentido. Como a linguagem é fundamental para a constituição do sujeito, o aprendizado necessariamente passa pelas questões afetivas, de subjetivação. O inconsciente não existe sem linguagem e a linguagem é condição de existência do inconsciente, portanto aprender a operar com as letras e as palavras têm relação com a subjetividade. A criança que ainda não encontrou o caminho da subjetividade, que não operou com o recalque, nem entrou no campo do simbólico, fica impossibilitada de aprender.
Através da palavra, o sujeito apresenta o que está latente no seu inconsciente, que marca sua falta, revela-o na sua incompletude e denuncia seus conflitos. A percepção de si mesmo e da forma como o sujeito se expressa, também aparece nestes momentos em as palavras se manifestam.
PALESTRAS PARA PAIS, EDUCADORES E ADOLESCENTES
SOCORRO! MEU FILHO VIROU ADOLESCENTE

Para adquirir o livro, envie um e-mail para: lizarsouza@hotmail.com
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PARA PALESTRAS LIGUE (11) 995241143
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
QUEM É O SUJEITO ADOLESCENTE?
Estamos vivendo um momento em que as teorias não alcançam objetivamente o que é o sujeito. Temos a medicina, a psicologia e sociologia entre outras que se esforçam em tentar responder esta questão. Porém, não é algo fácil se responder visto que cada área do saber tem suas concepções para entender o que e quem é este sujeito, este homem que se apresenta na atualidade.
O que movimenta o desenvolvimento do sujeito é a confrontação do externo com o interno. Os elementos que vem do meio permitem a construção de suas representações, que introjetadas servem para o sujeito construir e reorganizar sua formação psíquica. Esta reorganização é necessariamente marcada pelos valores sociais, pelos atributos externos e pelas condições de conceituação que é absorvida pelo sujeito.
O sujeito é constituído. Baseando-se em Foucault (2007) ou em Lacan (1998), a afirmação é a mesma. O sujeito não é dado, não é um ente, não é o ser propriamente dito. . A possibilidade de emergir o sujeito está no fato de o homem não ser completo. Em algum momento, o homem questiona sua incompletude porque isto o desconcerta, o descentraliza. Por isso, apesar de o homem biológico já existir, o sujeito (o homem de posições, de estudo, escolhas) surge em determinadas condições discursivas.
Por acreditar que o sujeito é uma construção, abordo a questão do adolescente pelo menos parâmetro: uma construção discursiva e subjetiva. Há alguns anos não era comum assuntos sobre o adolescente. Por isso, entendemos que o adolescente também emergiu num determinado momento histórico e cultural. Não trago preocupações com delimitação de idades, ao contrário, fazer estas delimitações temporais seria colocar o adolescente como um indivíduo que necessariamente é, ou seja, estático, assim como o bebê é e não existe sujeição.
Contudo, o adolescente é um sujeito constituído, que pelos discursos médicos, pedagógicos, sociais ou psicológicos, assumiu um lugar e se diz a partir daí. E, enquanto sujeito constituído, não é todo, não é completo, por isso, tem questionamentos.
Pelo entendimento da cisão do sujeito, não podemos aceitar a conclusão simplista de ‘fase’, que é tão difundida. Se pudéssemos considerar o adolescente um indivíduo que vivencia uma fase, delimitada por idade, então teríamos um objeto qualificado para estudo e, portanto, teríamos soluções, ou melhor, conclusões fechadas sobre as problemáticas apresentadas pelos adolescentes ou pelos seus pares (pais, professores, familiares). É justamente por esta impossibilidade que tomamos o adolescente como uma posição subjetiva, que pede formações, transformações, mas que não se fecha, não estabiliza.
Enquanto sujeitos, sofremos influências que desestabilizam nossos conceitos, concepções e visões de mundo e de nos mesmos. A forma como apreendemos os ensinamentos, os valores, as palavras e todos os elementos externos irá contribuir ou não para termos identificações mais ou menos delimitadas.
As palavras, os exemplos, as imagens, os sons são todos elementos que participam da constituição. Denominando-as ideologias ou identificações, é possível perceber que o sujeito não é dado, e se constitui, sendo discursivamente ou pelas identificações psicanalíticas.
O adolescente é o maior exemplo, hoje, do sujeito líquido, pós-moderno. Ele está em constantes desdobramentos, mostrando-se contraditório em seus pensamentos e movimentos. Munido de discursos heterogêneos, não apresenta solidez, ao mesmo tempo, que não apresenta base estrutural. É maleável, inconstante, que busca nos grupos uma identificação que possa lhe responder “quem ele é”.
No discurso adolescente permeia a necessidade de inclusão social e participação em um grupo e, consequentemente, institui formas e maneiras de ser e, ainda que tente alavancar uma liberdade, está preso, pelo menos naquele momento, a um constructo, pelas ideologias que carrega, de novo posicionamento do sujeito. Ao pertencer a um grupo, ter uma só identidade há uma certa proteção ao sujeito, pois há uma sólida fixação dos conceitos de sua constituição, porém, por outro lado, o sujeito esbarra com os pré-conceitos, ou seja, há maior impossibilidade de entender e aceitar o outro/ o diferente, as outras identidades.
O adolescente, que se constitui em meio a discursos que visavam explicar e justificar os problemas apresentadas por um certo número de pessoas, num certo momento de vida. Contudo, hoje, é claro perceber que toda a problemática aplicada à adolescência é observada em qualquer formação subjetiva. Procuramos, ao longo da vida, aquilo que vai responder quem somos e o adolescente é mais um nesta busca.
O adolescente se constituiu nesta sociedade atual e, por isso, seria impossível apresentar-se como um objeto já consolidado, que está a mercê de pura observação e manifestação alheia. O sujeito cindido fala porque é constituído pela linguagem, por isso, o sujeito adolescente precisa ser escutado. Somente ele pode expressar a dimensão de sua subjetividade.
O que movimenta o desenvolvimento do sujeito é a confrontação do externo com o interno. Os elementos que vem do meio permitem a construção de suas representações, que introjetadas servem para o sujeito construir e reorganizar sua formação psíquica. Esta reorganização é necessariamente marcada pelos valores sociais, pelos atributos externos e pelas condições de conceituação que é absorvida pelo sujeito.
O sujeito é constituído. Baseando-se em Foucault (2007) ou em Lacan (1998), a afirmação é a mesma. O sujeito não é dado, não é um ente, não é o ser propriamente dito. . A possibilidade de emergir o sujeito está no fato de o homem não ser completo. Em algum momento, o homem questiona sua incompletude porque isto o desconcerta, o descentraliza. Por isso, apesar de o homem biológico já existir, o sujeito (o homem de posições, de estudo, escolhas) surge em determinadas condições discursivas.
Por acreditar que o sujeito é uma construção, abordo a questão do adolescente pelo menos parâmetro: uma construção discursiva e subjetiva. Há alguns anos não era comum assuntos sobre o adolescente. Por isso, entendemos que o adolescente também emergiu num determinado momento histórico e cultural. Não trago preocupações com delimitação de idades, ao contrário, fazer estas delimitações temporais seria colocar o adolescente como um indivíduo que necessariamente é, ou seja, estático, assim como o bebê é e não existe sujeição.
Contudo, o adolescente é um sujeito constituído, que pelos discursos médicos, pedagógicos, sociais ou psicológicos, assumiu um lugar e se diz a partir daí. E, enquanto sujeito constituído, não é todo, não é completo, por isso, tem questionamentos.
Pelo entendimento da cisão do sujeito, não podemos aceitar a conclusão simplista de ‘fase’, que é tão difundida. Se pudéssemos considerar o adolescente um indivíduo que vivencia uma fase, delimitada por idade, então teríamos um objeto qualificado para estudo e, portanto, teríamos soluções, ou melhor, conclusões fechadas sobre as problemáticas apresentadas pelos adolescentes ou pelos seus pares (pais, professores, familiares). É justamente por esta impossibilidade que tomamos o adolescente como uma posição subjetiva, que pede formações, transformações, mas que não se fecha, não estabiliza.
Enquanto sujeitos, sofremos influências que desestabilizam nossos conceitos, concepções e visões de mundo e de nos mesmos. A forma como apreendemos os ensinamentos, os valores, as palavras e todos os elementos externos irá contribuir ou não para termos identificações mais ou menos delimitadas.
As palavras, os exemplos, as imagens, os sons são todos elementos que participam da constituição. Denominando-as ideologias ou identificações, é possível perceber que o sujeito não é dado, e se constitui, sendo discursivamente ou pelas identificações psicanalíticas.
O adolescente é o maior exemplo, hoje, do sujeito líquido, pós-moderno. Ele está em constantes desdobramentos, mostrando-se contraditório em seus pensamentos e movimentos. Munido de discursos heterogêneos, não apresenta solidez, ao mesmo tempo, que não apresenta base estrutural. É maleável, inconstante, que busca nos grupos uma identificação que possa lhe responder “quem ele é”.
No discurso adolescente permeia a necessidade de inclusão social e participação em um grupo e, consequentemente, institui formas e maneiras de ser e, ainda que tente alavancar uma liberdade, está preso, pelo menos naquele momento, a um constructo, pelas ideologias que carrega, de novo posicionamento do sujeito. Ao pertencer a um grupo, ter uma só identidade há uma certa proteção ao sujeito, pois há uma sólida fixação dos conceitos de sua constituição, porém, por outro lado, o sujeito esbarra com os pré-conceitos, ou seja, há maior impossibilidade de entender e aceitar o outro/ o diferente, as outras identidades.
O adolescente, que se constitui em meio a discursos que visavam explicar e justificar os problemas apresentadas por um certo número de pessoas, num certo momento de vida. Contudo, hoje, é claro perceber que toda a problemática aplicada à adolescência é observada em qualquer formação subjetiva. Procuramos, ao longo da vida, aquilo que vai responder quem somos e o adolescente é mais um nesta busca.
O adolescente se constituiu nesta sociedade atual e, por isso, seria impossível apresentar-se como um objeto já consolidado, que está a mercê de pura observação e manifestação alheia. O sujeito cindido fala porque é constituído pela linguagem, por isso, o sujeito adolescente precisa ser escutado. Somente ele pode expressar a dimensão de sua subjetividade.
domingo, 7 de agosto de 2011
Análise de um depoimento
DEPOIMENTO
“Ah! É uma experiência maravilhosa ser adolescente, assim, na escola eu fico feliz porque eu consegui passar de ano, né... Mas o menino que eu gosto, ai (choro), ele não gosta de mim (suspiro), mas vou mudar de assunto porque eu tenho o apoio da minha família (choro), ai, ai. Foi difícil eu conseguir ligar pra cá, mas é tão bom ter um projeto desse, que alguém ouça alguém. Eu parabenizo, parabenizo as pessoas que tomaram esta iniciativa (tosse, engasgo). Eu agradeço a todos, é tão bom poder falar com alguém, que você sabe que vai te ouvir, né. Obrigado... Mas ele não gosta de mim. Mas sou grata a Deus por tudo que ele faz por mim. Graças a Deus eu sou tão bem na escola. Eu tô tão bem na minha família. Eu vou encontrar pessoas que gostam de mim. Não vai ser um menino que vai fazer eu sofrer tanto, ai (suspiro). ) Muito obrigado por vocês estarem tomando esta iniciativa, quando eu recebi o panfleto na minha escola eu fiquei tão grata. Na verdade, foi em frente da minha escola... Mas eu fiquei tão feliz com essa iniciativa... Muito obrigado gente, tchau.”
ANÁLISE
Ela mal começa falar de sua dor, já quer mudar de assunto, ou melhor, não quer falar de sua dor, nas paradas demonstra sua angústia.
É possível perceber a necessidade da depoente em falar com alguém, o que leva a pensar sobre o apoio que ela diz que sua família lhe oferece. O depoimento emocionado demonstra o quanto ela guarda seus sentimentos e talvez não tenha ninguém para dividir suas dores.
“Mas sou grata a Deus por tudo que ele faz por mim. Graças a Deus eu sou tão bem na escola. Eu tô tão bem na minha família.” – parece estar a procura de uma compensação.
Percebemos os discursos pelos quais a depoente é atravessada: religioso, pois Deus lhe dá coisas boas, que devem ser valorizadas e o discurso do ‘final feliz’, que existe na cultura e nas novelas e que incide o pensamento dos mitos de amor, como por exemplo o da ‘alma gêmea’.
Existe, ainda, a crença da realização do ‘conto de fada’, o que chamo, particularmente de complexo de princesa, que dentre outras coisas, vivem paralelamente, pela fantasia um mundo encantado que se distancia da realidade.
“Não vai ser um menino que vai fazer eu sofrer tanto, ai” (suspiro). (tentativa de acreditar num discurso que está completamente fora daquilo que ela sente, num misto de negação e racionalização.
Os ‘mas’ demonstram os contrapontos dos seus pensamentos e sentimentos.
Utiliza muitos verbos que indicam ‘estado’, como ficar e ser, parecendo que o sofrimento amoroso causa paralisia, não ação.
“Ah! É uma experiência maravilhosa ser adolescente, assim, na escola eu fico feliz porque eu consegui passar de ano, né... Mas o menino que eu gosto, ai (choro), ele não gosta de mim (suspiro), mas vou mudar de assunto porque eu tenho o apoio da minha família (choro), ai, ai. Foi difícil eu conseguir ligar pra cá, mas é tão bom ter um projeto desse, que alguém ouça alguém. Eu parabenizo, parabenizo as pessoas que tomaram esta iniciativa (tosse, engasgo). Eu agradeço a todos, é tão bom poder falar com alguém, que você sabe que vai te ouvir, né. Obrigado... Mas ele não gosta de mim. Mas sou grata a Deus por tudo que ele faz por mim. Graças a Deus eu sou tão bem na escola. Eu tô tão bem na minha família. Eu vou encontrar pessoas que gostam de mim. Não vai ser um menino que vai fazer eu sofrer tanto, ai (suspiro). ) Muito obrigado por vocês estarem tomando esta iniciativa, quando eu recebi o panfleto na minha escola eu fiquei tão grata. Na verdade, foi em frente da minha escola... Mas eu fiquei tão feliz com essa iniciativa... Muito obrigado gente, tchau.”
ANÁLISE
Ela mal começa falar de sua dor, já quer mudar de assunto, ou melhor, não quer falar de sua dor, nas paradas demonstra sua angústia.
É possível perceber a necessidade da depoente em falar com alguém, o que leva a pensar sobre o apoio que ela diz que sua família lhe oferece. O depoimento emocionado demonstra o quanto ela guarda seus sentimentos e talvez não tenha ninguém para dividir suas dores.
“Mas sou grata a Deus por tudo que ele faz por mim. Graças a Deus eu sou tão bem na escola. Eu tô tão bem na minha família.” – parece estar a procura de uma compensação.
Percebemos os discursos pelos quais a depoente é atravessada: religioso, pois Deus lhe dá coisas boas, que devem ser valorizadas e o discurso do ‘final feliz’, que existe na cultura e nas novelas e que incide o pensamento dos mitos de amor, como por exemplo o da ‘alma gêmea’.
Existe, ainda, a crença da realização do ‘conto de fada’, o que chamo, particularmente de complexo de princesa, que dentre outras coisas, vivem paralelamente, pela fantasia um mundo encantado que se distancia da realidade.
“Não vai ser um menino que vai fazer eu sofrer tanto, ai” (suspiro). (tentativa de acreditar num discurso que está completamente fora daquilo que ela sente, num misto de negação e racionalização.
Os ‘mas’ demonstram os contrapontos dos seus pensamentos e sentimentos.
Utiliza muitos verbos que indicam ‘estado’, como ficar e ser, parecendo que o sofrimento amoroso causa paralisia, não ação.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Linguagem, cultura e constituição do sujeito
O sujeito se constitui através das suas relações com o mundo. Desde o nascimento, é pela relação com um outro que é possível para a criança se diferenciar e sair da simbiose mãe-criança. Ser um sujeito no mundo é ser diferenciado na sua subjetividade, e através dela poder participar do social.
Durante toda a vida do sujeito, a relação feita no indivíduo, enquanto um sujeito não constituído do nascimento, enquanto marcas particulares do materno com seus cuidados, às relações feitas pelo indivíduo nos caminhos de sua constituição, são relações necessárias. Como Sauret lembra para se fazer um filho são necessários um homem e uma mulher, mas para se fazer um sujeito é preciso mais que isso.
Portanto, o sujeito é modelado pelas suas relações, e se o é, é porque não nasce pronto para ter condição social, é necessário que esta condição se coloque para ele. O que traz o indivíduo ao nascer é um conjunto de impulsos incontroláveis que precisam ser guiados em direção a um lugar, como nos coloca Freud "... torna possível supor que o caráter do ego é um precipitado de caquexias objetais abandonadas e que ele contém a história dessas escolhas de objeto."
A linguagem é profundamente determinada pelo momento histórico, pelas contradições sociais e pelos conflitos ideológicos – de classe, de gerações, de gênero, de grupos étnicos etc. Ela é produto inconsciente, pré-consciente e consciente dessas contradições. Sua função comunicativa possui também uma importante instância de integração e de ocultação das contradições sociais.
A teoria lacaniana trata a linguagem como condição de possibilidade quando a situa como coisa concreta entre o sujeito e ele mesmo, entre o sujeito e o outro, e entre o sujeito e a realidade.
Para Lacan (1998), o inconsciente estruturado como linguagem apresenta a linguagem tomada pelo sujeito como coisa já pronta e outorgada pelo "Outro", para que, com este, o sujeito possa entrar em relação e suprir suas necessidades. Do mesmo modo, só a linguagem permite que o inconsciente apareça e realize suas operações e transformações. Fora dela o inconsciente não existe ou, pelo menos, é impensável, irreconhecível e inapreensível. Além disso, a linguagem, ou, mais propriamente, a sua estrutura, é o conjunto ou o sistema que delimita o inconsciente como fenômeno: não sabemos de sua existência senão na estrutura.
Por "estrutura da linguagem", Lacan (1998) compreende uma cadeia em movimento constante e inter-relacionada de significantes e significados, sempre com a prevalência dos significantes. O fato de que um significante remeta sempre a outro significante num investimento infinito, faz dos significados elementos supérfluos e também inócuos com relação à essência do sujeito. A estrutura da linguagem é concebida como condição de possibilidade do próprio inconsciente, porque, pelo menos, não se pode conceber a sua natureza independente do meio pelo qual ele se manifesta. A partir desta tese, há várias conseqüências para a metapsicologia.
A linguagem é concebida então como instrumento natural de comunicação humana, que surgiu na própria evolução da espécie, e é tão contingente quanto ela mesma ou qualquer dos recursos que ela utiliza para a sua preservação.
Durante toda a vida do sujeito, a relação feita no indivíduo, enquanto um sujeito não constituído do nascimento, enquanto marcas particulares do materno com seus cuidados, às relações feitas pelo indivíduo nos caminhos de sua constituição, são relações necessárias. Como Sauret lembra para se fazer um filho são necessários um homem e uma mulher, mas para se fazer um sujeito é preciso mais que isso.
Portanto, o sujeito é modelado pelas suas relações, e se o é, é porque não nasce pronto para ter condição social, é necessário que esta condição se coloque para ele. O que traz o indivíduo ao nascer é um conjunto de impulsos incontroláveis que precisam ser guiados em direção a um lugar, como nos coloca Freud "... torna possível supor que o caráter do ego é um precipitado de caquexias objetais abandonadas e que ele contém a história dessas escolhas de objeto."
A linguagem é profundamente determinada pelo momento histórico, pelas contradições sociais e pelos conflitos ideológicos – de classe, de gerações, de gênero, de grupos étnicos etc. Ela é produto inconsciente, pré-consciente e consciente dessas contradições. Sua função comunicativa possui também uma importante instância de integração e de ocultação das contradições sociais.
A teoria lacaniana trata a linguagem como condição de possibilidade quando a situa como coisa concreta entre o sujeito e ele mesmo, entre o sujeito e o outro, e entre o sujeito e a realidade.
Para Lacan (1998), o inconsciente estruturado como linguagem apresenta a linguagem tomada pelo sujeito como coisa já pronta e outorgada pelo "Outro", para que, com este, o sujeito possa entrar em relação e suprir suas necessidades. Do mesmo modo, só a linguagem permite que o inconsciente apareça e realize suas operações e transformações. Fora dela o inconsciente não existe ou, pelo menos, é impensável, irreconhecível e inapreensível. Além disso, a linguagem, ou, mais propriamente, a sua estrutura, é o conjunto ou o sistema que delimita o inconsciente como fenômeno: não sabemos de sua existência senão na estrutura.
Por "estrutura da linguagem", Lacan (1998) compreende uma cadeia em movimento constante e inter-relacionada de significantes e significados, sempre com a prevalência dos significantes. O fato de que um significante remeta sempre a outro significante num investimento infinito, faz dos significados elementos supérfluos e também inócuos com relação à essência do sujeito. A estrutura da linguagem é concebida como condição de possibilidade do próprio inconsciente, porque, pelo menos, não se pode conceber a sua natureza independente do meio pelo qual ele se manifesta. A partir desta tese, há várias conseqüências para a metapsicologia.
A linguagem é concebida então como instrumento natural de comunicação humana, que surgiu na própria evolução da espécie, e é tão contingente quanto ela mesma ou qualquer dos recursos que ela utiliza para a sua preservação.
terça-feira, 21 de junho de 2011
ANÁLISE DE UM DEPOIMENTO
O DEPOIMENTO
“Queria falar uma coisa... primeiro quero falar sobre a escola, eu gosto muito da minha escola, principalmente de um garoto chamado F. e de um garoto chamado L. e, principalmente, das garotas patricinhas que elas zoam muito as coisas e elas não ficam com as patricinhas metidas... eu sou uma garota sonhadora e meu maior sonho é... seria tê sê rica, podê cantar, sei lá, mas é uma coisa muito impossível porque do jeito que é minha vida, minha vida não, a do meus pais... não dá um tempo pra fazer essas coisas de... sabe, negócios, pra tentar fazer alguma coisa pra tentar ser uma popstar (sorriso), mas eu gostaria muito... eu faço inglês e não me envolvo em nada, que nem balada, essas coisas. Eu sou caseira e eu gosto muito de Disney, assistir Disney e twittar pelo twitter... às vezes eu tenho um medo, medo não, uma incerteza e tenho meus amigos e eles me contam tudo... bom, perdão, é só isso e...”
ANÁLISE
Quero, gosto, ficam, sou, é - em geral usa os verbos no presente, em primeira pessoa e indicando mais estado que ação. Os verbos que indicam ação estão mais ligados ao outro: “elas zoam”, ëles me contam”; ou na relação com o outro, como, “twittar”, que também indica a necessidade de ‘ser vista’, de ‘fazer parte’, pois no twitter ao mesmo tempo que se comunica com vários, pode não estar se comunicando com ninguém. A palavra ‘twittar’ também indica a inserção na sociedade e na cultura que se faz pela linguagem - este é um novo verbo, que não existia há algum tempo atrás. O twitter demonstra duas características fundamentais na sociedade contemporânea: o individualismo, de um lado e o espetáculo, por outro.
“eu sou uma garota sonhadora e meu maior sonho é... seria tê sê rica, podê cantar, sei lá, mas é uma coisa muito impossível porque do jeito que é minha vida, minha vida não, a do meus pais...” - neste momento, ela apresenta a característica que mais prevalece entre os adolescentes, que é viver entre o sonho e a realidade, o que de certa forma faz com que se acredite que o adolescente viva entre a infância fantasiosa e as possibilidades reais da vida adulta. Demonstra descontentamento e resignação diante de sua realidade de vida.
“não me envolvo em nada, que nem balada, essas coisas” - parece que percebe sua realidade com mais limitações que a maior parte dos adolescentes e vê com certo preconceito o ‘envolvimento em baladas’.
As frases grifadas revelam ou confirmam seu lado sonhador, parece que ela vive o imaginário do ‘mundo encantado da Disney – canal de TV - , que apresenta séries, onde adolescentes realizam seus sonhos de sucesso como artistas. Ela parece ser uma adolescente solitária, que tenta viver na segurança de seu mundo.
“bom, perdão” - o término com a palavra ‘perdão’, pode indicar a dificuldade em falar ou expressar-se através de palavras o que pensa e sente, também pode estar relacionada a certa culpa que sente pelas suas próprias incertezas e provavelmente, por não conseguir corresponder exatamente àquilo que ela acredita que os outros esperam dela – ideal de ego freudiano.
“Queria falar uma coisa... primeiro quero falar sobre a escola, eu gosto muito da minha escola, principalmente de um garoto chamado F. e de um garoto chamado L. e, principalmente, das garotas patricinhas que elas zoam muito as coisas e elas não ficam com as patricinhas metidas... eu sou uma garota sonhadora e meu maior sonho é... seria tê sê rica, podê cantar, sei lá, mas é uma coisa muito impossível porque do jeito que é minha vida, minha vida não, a do meus pais... não dá um tempo pra fazer essas coisas de... sabe, negócios, pra tentar fazer alguma coisa pra tentar ser uma popstar (sorriso), mas eu gostaria muito... eu faço inglês e não me envolvo em nada, que nem balada, essas coisas. Eu sou caseira e eu gosto muito de Disney, assistir Disney e twittar pelo twitter... às vezes eu tenho um medo, medo não, uma incerteza e tenho meus amigos e eles me contam tudo... bom, perdão, é só isso e...”
ANÁLISE
Quero, gosto, ficam, sou, é - em geral usa os verbos no presente, em primeira pessoa e indicando mais estado que ação. Os verbos que indicam ação estão mais ligados ao outro: “elas zoam”, ëles me contam”; ou na relação com o outro, como, “twittar”, que também indica a necessidade de ‘ser vista’, de ‘fazer parte’, pois no twitter ao mesmo tempo que se comunica com vários, pode não estar se comunicando com ninguém. A palavra ‘twittar’ também indica a inserção na sociedade e na cultura que se faz pela linguagem - este é um novo verbo, que não existia há algum tempo atrás. O twitter demonstra duas características fundamentais na sociedade contemporânea: o individualismo, de um lado e o espetáculo, por outro.
“eu sou uma garota sonhadora e meu maior sonho é... seria tê sê rica, podê cantar, sei lá, mas é uma coisa muito impossível porque do jeito que é minha vida, minha vida não, a do meus pais...” - neste momento, ela apresenta a característica que mais prevalece entre os adolescentes, que é viver entre o sonho e a realidade, o que de certa forma faz com que se acredite que o adolescente viva entre a infância fantasiosa e as possibilidades reais da vida adulta. Demonstra descontentamento e resignação diante de sua realidade de vida.
“não me envolvo em nada, que nem balada, essas coisas” - parece que percebe sua realidade com mais limitações que a maior parte dos adolescentes e vê com certo preconceito o ‘envolvimento em baladas’.
As frases grifadas revelam ou confirmam seu lado sonhador, parece que ela vive o imaginário do ‘mundo encantado da Disney – canal de TV - , que apresenta séries, onde adolescentes realizam seus sonhos de sucesso como artistas. Ela parece ser uma adolescente solitária, que tenta viver na segurança de seu mundo.
“bom, perdão” - o término com a palavra ‘perdão’, pode indicar a dificuldade em falar ou expressar-se através de palavras o que pensa e sente, também pode estar relacionada a certa culpa que sente pelas suas próprias incertezas e provavelmente, por não conseguir corresponder exatamente àquilo que ela acredita que os outros esperam dela – ideal de ego freudiano.
A PESQUISA
PERGUNTA DE PESQUISA:
Como o adolescente se constituiu a partir da própria fala?
JUSTIFICATIVA :
Esta questão se confirma porque há ainda confusões sobre o que é a adolescência e qual sua importância, tanto nos aspectos sociais, físicos e biológicos, como nos aspectos psicológicos e culturais. Todo adulto já ter passou por este momento, mas ninguém melhor que o próprio adolescente para dizer sobre si mesmo e sobre esta posição que gera controvérsias.
OBJETIVOS:
Objetivo Geral: dar voz ao adolescente, que em meio a tantos contextos ainda não consegue elaborar seus limites de existência.
Objetivos específicos: Levantar os efeitos de sentido nos discursos dos adolescentes; demonstrar de como esses efeitos se constituem na materialidade linguística; apontar como os adolescentes constroem sua subjetividade a partir de seu discurso.
METODOLOGIA:
Serão utilizados depoimentos espontâneos e voluntários de adolescentes, através de um números de telefone, que recebe, por uma secretária eletrônica estes dizeres, sem nenhum tipo de interferência, focando as análise nos depoimentos sobre a família e o papel da escola.
E, havendo a necessidade, serão utilizados mensagens em redes sociais e apresentações em vídeos publicados na internet.
Como o adolescente se constituiu a partir da própria fala?
JUSTIFICATIVA :
Esta questão se confirma porque há ainda confusões sobre o que é a adolescência e qual sua importância, tanto nos aspectos sociais, físicos e biológicos, como nos aspectos psicológicos e culturais. Todo adulto já ter passou por este momento, mas ninguém melhor que o próprio adolescente para dizer sobre si mesmo e sobre esta posição que gera controvérsias.
OBJETIVOS:
Objetivo Geral: dar voz ao adolescente, que em meio a tantos contextos ainda não consegue elaborar seus limites de existência.
Objetivos específicos: Levantar os efeitos de sentido nos discursos dos adolescentes; demonstrar de como esses efeitos se constituem na materialidade linguística; apontar como os adolescentes constroem sua subjetividade a partir de seu discurso.
METODOLOGIA:
Serão utilizados depoimentos espontâneos e voluntários de adolescentes, através de um números de telefone, que recebe, por uma secretária eletrônica estes dizeres, sem nenhum tipo de interferência, focando as análise nos depoimentos sobre a família e o papel da escola.
E, havendo a necessidade, serão utilizados mensagens em redes sociais e apresentações em vídeos publicados na internet.
ADOLESCENTE: FALANDO DE SI
O adolescente tem muito a dizer, mas poucos espaços para ser ouvido. Isto é facilmente comprovado através das pesquisas que estudam os adolescentes, apenas pelo ponto de vista de especialistas. O adolescente é sempre dito e explicado pelos especialistas, mas não há espaç para ele se dizer. Mesmo quando é colocado a falar de si, suas considerações servem para que especialistas encerrem uma definição sobre ele, registrando assim, os comportamentos e pensamentos possíveis deste sujeito.
A adolescência hoje não pode mais ser vista apenas como uma fase de transição entre a infância e idade adulta. O adolescente pede um lugar, uma posição para se dizer. E mesmo com todos os seus conflitos e confusões, a adolescência já garantiu um lugar enquanto constituição subjetiva e posicionamento individual. Esta emergência da adolescência se traduz, principalmente, pela quantidade de objetos que podem ser consumidos por este grupo, que até há pouco tempo não era um objeto privilegiado de estudo.
Esta forma de reflexão e olhar para o adolescente surgiu com os estudos em Foucault, que me permitiu vislumbrar a adolescência como uma posição subjetiva. Foucault participou ativamente da minha mudança de olhar, pois antes também acreditava ser a adolescência uma fase de transição. Agora, percebo que, por mais que a adolescência seja parte do processo evolutivo do indivíduo, que passa também pela infância, fase adulta e velhice, o adolescente compreende uma subjetivação. É preciso que o sujeito se diga deste lugar e o adolescente se diz.
Partindo do pressuposto de que a passagem da infância para a idade adulta é vivenciado por todo ser humano, toma-se como hipótese que a adolescência foi foi se constituindo como um lugar discursivo, em especial no momento atual da sociedade do espetáculo e do consumo.
Como psicanalista, e mãe, percebo que o adolescente se promove de um determinado lugar, ou seja, uma posição subjetiva, que delimita um certo modo de ser e dizer, do qual não se pode fugir. Os adolescentes possuem produtos, cursos, programas de televisão, rádio, roupas e aparelhos específicos para corresponderem às suas demandas, por isso, considerar que este lugar é apenas uma passagem, significa ignorar aquilo que apresenta e representa.
Desta forma, a questão central que se faz é como o adolescente se constituiu a partir da própria fala? Esta questão se confirma porque há ainda confusões sobre o que é esta fase e sobre sua importância, tanto nos aspectos sociais, físicos e biológicos, como nos aspectos psicológicos e culturais. Porém, apesar de todo adulto já ter passado por este momento, ninguém melhor que o próprio adolescente para dizer sobre si mesmo e sobre esta posição que gera controvérsias externas – estudiosos, especialistas, pesquisadores, professores e pais – e internas – angústias, paixões, conflitos, etc.
Esta pesquisa tem como objetivo geral dar voz ao adolescente, que em meio a tantos contextos ainda não consegue elaborar seus limites de existência, como também, colaborar para maior delimitação deste lugar, levantando possíveis interpretações sobre a fala adolescente, fugindo do estereótipo da “aborrescência”.
Os discursos de verdade que tentam dar conta do que é ser adolescente abrangem desde a conceituação da adolescência até a sintomatologia desta posição. Portanto, ressalto que esta pesquisa não faz referência ao entendimento médico, psicológico ou pedagógico do adolescente. É possível pensar neste lugar a partir das formações discursivas que apresenta. Existe um sentido que é apontado pela formação discursiva, indicando a posição do sujeito, que neste caso é o adolescente.
Por isso, ao falar de adolescentes, falo também de formações discursivas e ideológicas que poderão ser apontados pelos depoimentos recolhidos pela pesquisa. Mais do que isto, acredito que será possível observar quais formações estão ocultas, ou aparecem claramente, nas falas do adolescentes, tentando assim apresentar como este lugar está sendo construído atualmente.
Como esta pesquisa abordará os depoimentos dos adolescentes, acredito que poderei fazer uma análise diferente, baseada na crença de que o adolescente pode dizer de si e de suas relações com o mundo.
Para isto, será oferecido um espaço exclusivo e anônimo, onde o adolescente poderá dizer sobre o que quiser e da forma que quiser. Este espaço é formado por um número de telefone específico para o recolhimento dos depoimentos. Escolhi esta forma de levantamento pela possibilidade do anonimato e impossibilidade de intervenção. Quando ligam, escutam somente uma mensagem de saudação e agradecimento. Não existe indução de tema, tampouco perguntas a serem respondidas, criando assim, um espaço livre para falar. Por isso, a pesquisa poderá analisar aspectos ideológicos, de relacionamentos, de interesses, de estranhamentos entre outros, que os adolescentes apresentem, inclusive as possibilidades de mentiras, quando não forem adolescentes ou quando contarem histórias mirabolantes e os possíveis trotes.
As análises acontecerão a partir do discurso dos próprios adolescentes, isto significa que não existe um assunto ou uma linha a seguir ao fazer os depoimentos. Eles são livres para dizer o que querem. Portanto, as análises serão pautadas nos assuntos de interesses do adolescente, sejam a família, a escola, os amigos, a sexualidade, a violência, os sonhos etc.
A adolescência hoje não pode mais ser vista apenas como uma fase de transição entre a infância e idade adulta. O adolescente pede um lugar, uma posição para se dizer. E mesmo com todos os seus conflitos e confusões, a adolescência já garantiu um lugar enquanto constituição subjetiva e posicionamento individual. Esta emergência da adolescência se traduz, principalmente, pela quantidade de objetos que podem ser consumidos por este grupo, que até há pouco tempo não era um objeto privilegiado de estudo.
Esta forma de reflexão e olhar para o adolescente surgiu com os estudos em Foucault, que me permitiu vislumbrar a adolescência como uma posição subjetiva. Foucault participou ativamente da minha mudança de olhar, pois antes também acreditava ser a adolescência uma fase de transição. Agora, percebo que, por mais que a adolescência seja parte do processo evolutivo do indivíduo, que passa também pela infância, fase adulta e velhice, o adolescente compreende uma subjetivação. É preciso que o sujeito se diga deste lugar e o adolescente se diz.
Partindo do pressuposto de que a passagem da infância para a idade adulta é vivenciado por todo ser humano, toma-se como hipótese que a adolescência foi foi se constituindo como um lugar discursivo, em especial no momento atual da sociedade do espetáculo e do consumo.
Como psicanalista, e mãe, percebo que o adolescente se promove de um determinado lugar, ou seja, uma posição subjetiva, que delimita um certo modo de ser e dizer, do qual não se pode fugir. Os adolescentes possuem produtos, cursos, programas de televisão, rádio, roupas e aparelhos específicos para corresponderem às suas demandas, por isso, considerar que este lugar é apenas uma passagem, significa ignorar aquilo que apresenta e representa.
Desta forma, a questão central que se faz é como o adolescente se constituiu a partir da própria fala? Esta questão se confirma porque há ainda confusões sobre o que é esta fase e sobre sua importância, tanto nos aspectos sociais, físicos e biológicos, como nos aspectos psicológicos e culturais. Porém, apesar de todo adulto já ter passado por este momento, ninguém melhor que o próprio adolescente para dizer sobre si mesmo e sobre esta posição que gera controvérsias externas – estudiosos, especialistas, pesquisadores, professores e pais – e internas – angústias, paixões, conflitos, etc.
Esta pesquisa tem como objetivo geral dar voz ao adolescente, que em meio a tantos contextos ainda não consegue elaborar seus limites de existência, como também, colaborar para maior delimitação deste lugar, levantando possíveis interpretações sobre a fala adolescente, fugindo do estereótipo da “aborrescência”.
Os discursos de verdade que tentam dar conta do que é ser adolescente abrangem desde a conceituação da adolescência até a sintomatologia desta posição. Portanto, ressalto que esta pesquisa não faz referência ao entendimento médico, psicológico ou pedagógico do adolescente. É possível pensar neste lugar a partir das formações discursivas que apresenta. Existe um sentido que é apontado pela formação discursiva, indicando a posição do sujeito, que neste caso é o adolescente.
Por isso, ao falar de adolescentes, falo também de formações discursivas e ideológicas que poderão ser apontados pelos depoimentos recolhidos pela pesquisa. Mais do que isto, acredito que será possível observar quais formações estão ocultas, ou aparecem claramente, nas falas do adolescentes, tentando assim apresentar como este lugar está sendo construído atualmente.
Como esta pesquisa abordará os depoimentos dos adolescentes, acredito que poderei fazer uma análise diferente, baseada na crença de que o adolescente pode dizer de si e de suas relações com o mundo.
Para isto, será oferecido um espaço exclusivo e anônimo, onde o adolescente poderá dizer sobre o que quiser e da forma que quiser. Este espaço é formado por um número de telefone específico para o recolhimento dos depoimentos. Escolhi esta forma de levantamento pela possibilidade do anonimato e impossibilidade de intervenção. Quando ligam, escutam somente uma mensagem de saudação e agradecimento. Não existe indução de tema, tampouco perguntas a serem respondidas, criando assim, um espaço livre para falar. Por isso, a pesquisa poderá analisar aspectos ideológicos, de relacionamentos, de interesses, de estranhamentos entre outros, que os adolescentes apresentem, inclusive as possibilidades de mentiras, quando não forem adolescentes ou quando contarem histórias mirabolantes e os possíveis trotes.
As análises acontecerão a partir do discurso dos próprios adolescentes, isto significa que não existe um assunto ou uma linha a seguir ao fazer os depoimentos. Eles são livres para dizer o que querem. Portanto, as análises serão pautadas nos assuntos de interesses do adolescente, sejam a família, a escola, os amigos, a sexualidade, a violência, os sonhos etc.
BULLYING - RELAÇŌES PERIGAS
Quando se fala em bullying, a primeira idéia que nos vem à mente é a agressividade, porém quando ampliamos nosso pensamento sobre este assunto vemos que por trás desta agressividade existe um número muito grande de outros sentimentos e emoções, que nem sempre é apreendido pelo discurso daquele que justifica seu ato.
Ressaltamos a influência da educação nestes casos, principalmente, na forma hoje, que se apresentam os comportamentos de crianças e adolescentes. Em todo o mundo, as taxas de prevalência de bullying, revelam que entre 5% a 35% dos alunos estão envolvidos no fenômeno. Porém, o bullying não está ligado somente às atitudes juvenis. Este comportamento hostil também acontece com adultos, muitas vezes como forma de defesa ou proteção.
O sujeito se comporta contrariamente ao que inconscientemente reconhece em si. As atitudes agressivas e hostis com relação aos colegas aparece como tentativa de mascarar seu próprio sentimento de inferioridade. Como animais acuados que atacam, ao invés de se renderem, os sujeitos considerados bullies não encontram outras formas de se posicionarem na vida, diante de pessoas ou situações, senão pela violência. Ele tem necessidade de dominar, de subjugar e de impor sua autoridade sobre outrem, mediante coação; necessidade de aceitação e de pertencimento a um grupo; de auto-afirmação, de chamar a atenção para si. Possui ainda, a inabilidade de expressar seus sentimentos mais íntimos, de se colocar no lugar do outro e de perceber suas dores e sentimentos.
Esta violência assume o caráter etiológico do violar, como se, realmente, apoderasse de algo do outro para assumir como seu. O bullie viola não só as leis, a moral e a disciplina, mas principalmente, viola o sujeito naquilo que ele mais tenta conservar que é o ‘direito'. Direito à integridade física e psíquica. Direito à fala e ao movimento. Direito à opinião, à criação de hipóteses e à discordância.
Por outro lado, sob o arcabouço de seu modo agressivo, existe um ser que sofre. E não sabe nada sobre seu sofrimento, pois ele não comparece após um ato violento. Seu sofrimento é anterior e seus comportamentos agem como um véu, que escondem, abafam e tentam anular sua dor.
Em psicanálise, quando falamos desta dor ou deste sofrimento, não falamos de algo consciente, tampouco que seja algo motivo de pena. Não é algo se pode justificar os atos agressivos, mas sim, aquilo que indica a sujeição, aquilo que diz do sujeito sem ele saber.
Estudar as causas de bullying incluem diversas matérias ou ramos do saber. As perspectivas sociais, educacionais, políticas, econômicas e subjetivas devem ser trabalhadas de forma interdisciplinar para tratar este comportamento, que não é recente, mas é atualmente muito freqüente.
A psicanálise traz mais um ponto de vista. Um novo olhar que atua naquilo que não é dito no discurso do sujeito, mas é produzido por este discurso. Mais do que escutar aquele que sofre o bullying, é preciso escutar o próprio agressor, para quem sabe, possamos entender a dinâmica deste processo de subjetivação.
Lacan, que frisa a idéia da responsabilidade do sujeito: "A verdade que a psicanálise pode conduzir o criminoso não pode ser desvinculada da base da experiência que a constitui, e essa base é a mesma que define o caráter sagrado da ação médica – ou seja, o respeito pelo sofrimento do homem." (Escritos)
Elizandra Souza
Psicanalista
Comissão de Ética do SINPESP
www.elizandrasouza.com.br
Ressaltamos a influência da educação nestes casos, principalmente, na forma hoje, que se apresentam os comportamentos de crianças e adolescentes. Em todo o mundo, as taxas de prevalência de bullying, revelam que entre 5% a 35% dos alunos estão envolvidos no fenômeno. Porém, o bullying não está ligado somente às atitudes juvenis. Este comportamento hostil também acontece com adultos, muitas vezes como forma de defesa ou proteção.
O sujeito se comporta contrariamente ao que inconscientemente reconhece em si. As atitudes agressivas e hostis com relação aos colegas aparece como tentativa de mascarar seu próprio sentimento de inferioridade. Como animais acuados que atacam, ao invés de se renderem, os sujeitos considerados bullies não encontram outras formas de se posicionarem na vida, diante de pessoas ou situações, senão pela violência. Ele tem necessidade de dominar, de subjugar e de impor sua autoridade sobre outrem, mediante coação; necessidade de aceitação e de pertencimento a um grupo; de auto-afirmação, de chamar a atenção para si. Possui ainda, a inabilidade de expressar seus sentimentos mais íntimos, de se colocar no lugar do outro e de perceber suas dores e sentimentos.
Esta violência assume o caráter etiológico do violar, como se, realmente, apoderasse de algo do outro para assumir como seu. O bullie viola não só as leis, a moral e a disciplina, mas principalmente, viola o sujeito naquilo que ele mais tenta conservar que é o ‘direito'. Direito à integridade física e psíquica. Direito à fala e ao movimento. Direito à opinião, à criação de hipóteses e à discordância.
Por outro lado, sob o arcabouço de seu modo agressivo, existe um ser que sofre. E não sabe nada sobre seu sofrimento, pois ele não comparece após um ato violento. Seu sofrimento é anterior e seus comportamentos agem como um véu, que escondem, abafam e tentam anular sua dor.
Em psicanálise, quando falamos desta dor ou deste sofrimento, não falamos de algo consciente, tampouco que seja algo motivo de pena. Não é algo se pode justificar os atos agressivos, mas sim, aquilo que indica a sujeição, aquilo que diz do sujeito sem ele saber.
Estudar as causas de bullying incluem diversas matérias ou ramos do saber. As perspectivas sociais, educacionais, políticas, econômicas e subjetivas devem ser trabalhadas de forma interdisciplinar para tratar este comportamento, que não é recente, mas é atualmente muito freqüente.
A psicanálise traz mais um ponto de vista. Um novo olhar que atua naquilo que não é dito no discurso do sujeito, mas é produzido por este discurso. Mais do que escutar aquele que sofre o bullying, é preciso escutar o próprio agressor, para quem sabe, possamos entender a dinâmica deste processo de subjetivação.
Lacan, que frisa a idéia da responsabilidade do sujeito: "A verdade que a psicanálise pode conduzir o criminoso não pode ser desvinculada da base da experiência que a constitui, e essa base é a mesma que define o caráter sagrado da ação médica – ou seja, o respeito pelo sofrimento do homem." (Escritos)
Elizandra Souza
Psicanalista
Comissão de Ética do SINPESP
www.elizandrasouza.com.br
ACOMPANHE A PESQUISA
ACOMPANHE A PESQUISA
De 01/11/2010 a 31/07/2011 - Levantamento de depoimentos
De 01/06/2011 a 15/10/2011 - Escuta e análise dos depoimentos
De 15/10/2011 a 30/11/2011 - Resultado e escrita
De 01/10/2011 a 15/10/2011 - Revisões e retoques finais
Setembro - Apresentação final
Obs: as datas podem ser alteradas de acordo com as necessidades da pesquisa ou da pesquisadora.
De 01/11/2010 a 31/07/2011 - Levantamento de depoimentos
De 01/06/2011 a 15/10/2011 - Escuta e análise dos depoimentos
De 15/10/2011 a 30/11/2011 - Resultado e escrita
De 01/10/2011 a 15/10/2011 - Revisões e retoques finais
Setembro - Apresentação final
Obs: as datas podem ser alteradas de acordo com as necessidades da pesquisa ou da pesquisadora.
VOZ ADOLESCENTE
PROJETO
As análises terão como fundamento o entendimento de uma posição e não a resolução de problemas. Por outro lado, sabemos que o entendimento mais amplo de uma determinada posição permite novas formas de relação.
A hipótese principal da pesquisa é de que a adolescência não é somente uma fase de transição entre a infância e a fase adulta. Esta hipótese se consolida pelas relações do adolescente com suas vontades, seus medos e seus consumos.
Acreditamos que, um dos principais locais que demarca os conflitos desta posição é a escola, pois neste momento, o adolescente tem suas relações ampliadas através do meio social escolar.
OBJETIVO
Esta pesquisa visa entender a posição do adolescente, hoje, a partir de sua própria fala. Queremos escutar o que o adolescente tem a dizer e como, através do seu discurso, é possível compreender sua constituição.
PARA PARTICIPAR
Pedimos depoimentos espontâneos de adolescentes de 11 a 17 anos, que queiram dizer sobre o que é ser adolescente hoje e como acontecem as influências familiares, sociais e escolares. Não existe um formato em como dizer, nem regras, nem descrição do que deve ser dito.
Este canal será especificamente para o adolescente falar o que quiser, quando e como quiser.
Ligue para o número (11) 4063-1425, você pode falar sobre seus medos e dúvidas. sobre suas aflições e desejos. Pode fazer desabafos e contar sobre suas angústias. Não é necessário dizer nome ou fazer qualquer tipo de identificação.
Não existirá nenhum tipo de conversa ou retorno, pois é uma secretária eletrônica que recebe os depoimentos.
Conforme o projeto for desenvolvido, serão colocadas informações no site para acompanhamento dos interessados.
Qualquer dúvida ou questionamento, principalmente dos pais, podem ser sanadas pelo e-mail: lizarsouza@hotmail.com
As análises terão como fundamento o entendimento de uma posição e não a resolução de problemas. Por outro lado, sabemos que o entendimento mais amplo de uma determinada posição permite novas formas de relação.
A hipótese principal da pesquisa é de que a adolescência não é somente uma fase de transição entre a infância e a fase adulta. Esta hipótese se consolida pelas relações do adolescente com suas vontades, seus medos e seus consumos.
Acreditamos que, um dos principais locais que demarca os conflitos desta posição é a escola, pois neste momento, o adolescente tem suas relações ampliadas através do meio social escolar.
OBJETIVO
Esta pesquisa visa entender a posição do adolescente, hoje, a partir de sua própria fala. Queremos escutar o que o adolescente tem a dizer e como, através do seu discurso, é possível compreender sua constituição.
PARA PARTICIPAR
Pedimos depoimentos espontâneos de adolescentes de 11 a 17 anos, que queiram dizer sobre o que é ser adolescente hoje e como acontecem as influências familiares, sociais e escolares. Não existe um formato em como dizer, nem regras, nem descrição do que deve ser dito.
Este canal será especificamente para o adolescente falar o que quiser, quando e como quiser.
Ligue para o número (11) 4063-1425, você pode falar sobre seus medos e dúvidas. sobre suas aflições e desejos. Pode fazer desabafos e contar sobre suas angústias. Não é necessário dizer nome ou fazer qualquer tipo de identificação.
Não existirá nenhum tipo de conversa ou retorno, pois é uma secretária eletrônica que recebe os depoimentos.
Conforme o projeto for desenvolvido, serão colocadas informações no site para acompanhamento dos interessados.
Qualquer dúvida ou questionamento, principalmente dos pais, podem ser sanadas pelo e-mail: lizarsouza@hotmail.com
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