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terça-feira, 9 de agosto de 2011

QUEM É O SUJEITO ADOLESCENTE?

Estamos vivendo um momento em que as teorias não alcançam objetivamente o que é o sujeito. Temos a medicina, a psicologia e sociologia entre outras que se esforçam em tentar responder esta questão. Porém, não é algo fácil se responder visto que cada área do saber tem suas concepções para entender o que e quem é este sujeito, este homem que se apresenta na atualidade.

O que movimenta o desenvolvimento do sujeito é a confrontação do externo com o interno. Os elementos que vem do meio permitem a construção de suas representações, que introjetadas servem para o sujeito construir e reorganizar sua formação psíquica. Esta reorganização é necessariamente marcada pelos valores sociais, pelos atributos externos e pelas condições de conceituação que é absorvida pelo sujeito.

O sujeito é constituído. Baseando-se em Foucault (2007) ou em Lacan (1998), a afirmação é a mesma. O sujeito não é dado, não é um ente, não é o ser propriamente dito. . A possibilidade de emergir o sujeito está no fato de o homem não ser completo. Em algum momento, o homem questiona sua incompletude porque isto o desconcerta, o descentraliza. Por isso, apesar de o homem biológico já existir, o sujeito (o homem de posições, de estudo, escolhas) surge em determinadas condições discursivas.

Por acreditar que o sujeito é uma construção, abordo a questão do adolescente pelo menos parâmetro: uma construção discursiva e subjetiva. Há alguns anos não era comum assuntos sobre o adolescente. Por isso, entendemos que o adolescente também emergiu num determinado momento histórico e cultural. Não trago preocupações com delimitação de idades, ao contrário, fazer estas delimitações temporais seria colocar o adolescente como um indivíduo que necessariamente é, ou seja, estático, assim como o bebê é e não existe sujeição.

Contudo, o adolescente é um sujeito constituído, que pelos discursos médicos, pedagógicos, sociais ou psicológicos, assumiu um lugar e se diz a partir daí. E, enquanto sujeito constituído, não é todo, não é completo, por isso, tem questionamentos.

Pelo entendimento da cisão do sujeito, não podemos aceitar a conclusão simplista de ‘fase’, que é tão difundida. Se pudéssemos considerar o adolescente um indivíduo que vivencia uma fase, delimitada por idade, então teríamos um objeto qualificado para estudo e, portanto, teríamos soluções, ou melhor, conclusões fechadas sobre as problemáticas apresentadas pelos adolescentes ou pelos seus pares (pais, professores, familiares). É justamente por esta impossibilidade que tomamos o adolescente como uma posição subjetiva, que pede formações, transformações, mas que não se fecha, não estabiliza.

Enquanto sujeitos, sofremos influências que desestabilizam nossos conceitos, concepções e visões de mundo e de nos mesmos. A forma como apreendemos os ensinamentos, os valores, as palavras e todos os elementos externos irá contribuir ou não para termos identificações mais ou menos delimitadas.

As palavras, os exemplos, as imagens, os sons são todos elementos que participam da constituição. Denominando-as ideologias ou identificações, é possível perceber que o sujeito não é dado, e se constitui, sendo discursivamente ou pelas identificações psicanalíticas.

O adolescente é o maior exemplo, hoje, do sujeito líquido, pós-moderno. Ele está em constantes desdobramentos, mostrando-se contraditório em seus pensamentos e movimentos. Munido de discursos heterogêneos, não apresenta solidez, ao mesmo tempo, que não apresenta base estrutural. É maleável, inconstante, que busca nos grupos uma identificação que possa lhe responder “quem ele é”.

No discurso adolescente permeia a necessidade de inclusão social e participação em um grupo e, consequentemente, institui formas e maneiras de ser e, ainda que tente alavancar uma liberdade, está preso, pelo menos naquele momento, a um constructo, pelas ideologias que carrega, de novo posicionamento do sujeito. Ao pertencer a um grupo, ter uma só identidade há uma certa proteção ao sujeito, pois há uma sólida fixação dos conceitos de sua constituição, porém, por outro lado, o sujeito esbarra com os pré-conceitos, ou seja, há maior impossibilidade de entender e aceitar o outro/ o diferente, as outras identidades.

O adolescente, que se constitui em meio a discursos que visavam explicar e justificar os problemas apresentadas por um certo número de pessoas, num certo momento de vida. Contudo, hoje, é claro perceber que toda a problemática aplicada à adolescência é observada em qualquer formação subjetiva. Procuramos, ao longo da vida, aquilo que vai responder quem somos e o adolescente é mais um nesta busca.

O adolescente se constituiu nesta sociedade atual e, por isso, seria impossível apresentar-se como um objeto já consolidado, que está a mercê de pura observação e manifestação alheia. O sujeito cindido fala porque é constituído pela linguagem, por isso, o sujeito adolescente precisa ser escutado. Somente ele pode expressar a dimensão de sua subjetividade.

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